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26 novembro 2021 10:40 am

Ex-senador Marina SIlva voltar criticar política ambiental de Bolsonaro

Ela afirma que presidente não cumprirá carta-compromisso de preservação enviada a Joe Bidem

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Última atualização em 23/04/2021 10:32

A ex-senadora pelo Acre e ministra do Meio Ambiente no Governo Lula, Marina Silva, que está sem mandato e funções públicas desde 2010, quando disputou a primeira vez de três candidaturas derrotaDAs à presidência da República, voltou às luzes da ribalta política esta semana ao fazer duras críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro. Marina Silva, atualmente filiada ao partido Rede Sustentabilidade, criticou duramente a carta enviada ao presidente brasileiro ao presidente dos Estados Unidos, Joe Bidem, assumindo compromissos de preservação da Amazônia e do meio ambiente nacional.

Marina Silva disse que Bolsonaro não cumprirá os termos de sua carta por se tratar de um “inconscientemente incompetente” sobre assuntos como direitos humanos e meio ambiente. Em entrevista ao jornal O Globo, do Rio de Janeiro, a acreana disse que o governo de Bolsonaro “premia grileiros que roubam terras públicas na Amazônia” e que, se a atual agenda ambiental for mantida, “o Brasil terá dificuldades em ratificar seu acordo comercial com a União Europeia”.

Na carta criticada por Marina Silva, Bolsonaro demonstra compromisso do governo brasileiro com a proteção do meio ambiente e se compromete a “eliminar o desmatamento ilegal até 2030”
“Alcançar essa meta, no entanto, exigirá recursos vultuosos e políticas públicas abrangentes, cuja magnitude obriga-nos a querer contar com todo o apoio possível, tanto da comunidade internacional, quanto de governos, do setor privado, da sociedade civil e de todos que comungam desse nobre objetivo”, disse Bolsonaro.

Na carta, o governo brasileiro diz querer trabalhar em parceria com os Estado Unidos e argumenta que “trabalhar pela preservação ambiental passa, também, pelo desenvolvimento econômico”. Bolsonaro fala ainda sobre o “paradoxo amazônico”, que apesar da riqueza natural é a região que que registra os piores indicadores socioeconômicos do país. “Se não dermos a esse imenso contingente de homens e mulheres [25 milhões de pessoas habitantes da região] as condições de prosperarem materialmente, por seus próprios esforços, jamais alcançaremos resultados duradouros no domínio ambiental”.

O argumento do governo federal é de que combater estes índices passa não apenas por medidas de “comando e controle”, mas de incluir alternativas econômicas que reduzam o apelo de atividades ilegais de forma inequívoca e concomitante à atuação de repressão. O presidente diz ainda que sua gestão vem desenvolvendo estratégias nesse sentido.

Além de listar diferentes atuações do governo no setor, o documento diz que o Brasil “merece ser justamente remunerado pelos serviços ambientais que seus cidadãos têm prestado ao planeta”. Bolsonaro diz que quer trabalhar com a comunidade internacional, em prol da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável da Amazônia.

No entanto, a voz brasileira mais conhecida no exterior por sua defesa do meio ambiente desde os tempos em que fazia política no Acre ao lado do sindicalista assassinado em 1988 Chico Mendes, diz que Bolsonaro é responsável, em no âmbito internacional, pelo retrocesso na condução das políticas ambientais. Segundo marina Silva, durante os dois primeiros anos de governo de Bolsonaro foi evidenciado um aumento no desmatamento ilegal, alcançando níveis recordes, conforme apontado por indicadores.

Um dos últimos episódios negativos envolvendo Bolsonaro e sua política ambiental, apontou Marina Silva, foi a apresentação, na semana passada, de uma queixa da Superintendência da Polícia Federal do Amazonas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na queixa, uma notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, além do senador Telmário Mota (Pros-RR) e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, por praticarem interferências indevidas no órgão. “Assim não há política ambiental nem respeito da comunidade internacional”, disse a ex-senadora pelo Acre

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