Em 9 anos, Acre registrou quase 20 casos suspeitos de sĂ­ndrome congĂȘnita causada pelo vĂ­rus Zika

O vĂ­rus Zika (ZIKV) Ă© um arbovĂ­rus da famĂ­lia Flaviviridae que pode ser transmitido ao ser humano por meio da picada da fĂȘmea de mosquitos do gĂȘnero Aedes

Por Redação ContilNet 06/01/2024 às 15:20 Atualizado: hå 2 anos

Um novo boletim epidemiolĂłgico divulgado pelo MinistĂ©rio da SaĂșde mostra que o Acre registrou quase 20 casos suspeitos de sĂ­ndrome congĂȘnita associada Ă  infecção pelo vĂ­rus Zika, nos Ășltimos 9 anos.

O vĂ­rus Zika (ZIKV) Ă© um arbovĂ­rus da famĂ­lia Flaviviridae que pode ser transmitido ao ser humano por meio da picada da fĂȘmea de mosquitos do gĂȘnero Aedes, especialmente da espĂ©cie Aedes aegypti, havendo tambĂ©m transmissĂŁo vertical, sexual e por transfusĂŁo sanguĂ­nea. A infecção pelo ZIKV pode causar uma doença febril em que exantemas e dores articulares sĂŁo sinais e sintomas bastante comuns, embora evidĂȘncias apontem que aproximadamente 80% dos indivĂ­duos infectados sejam assintomĂĄticos.

Em 9 anos, Acre registrou quase 20 casos suspeitos de sĂ­ndrome congĂȘnita causada pelo vĂ­rus Zika

No Acre, de 2015 a 2023, 65 notificaçÔes foram registradas/Foto: Reprodução

Quando essa infecção ocorre durante o período gestacional, é preconizado que a investigação dos casos suspeitos ocorra preferencialmente por critérios laboratoriais específicos. Além disso, em situaçÔes de cocirculação dos vírus da dengue e da Zika em um território, faz-se necessåria a investigação por métodos diretos para detecção desses vírus.

No Acre, de 2015 a 2023, 65 notificaçÔes foram registradas e, desse total, apareceram 18 casos suspeitos. Quatro foram confirmados até o fim do ano passado.

De acordo com o boletim, no segundo semestre do ano de 2015 observou-se no Brasil um aumento expressivo no nĂșmero de recĂ©m-nascidos diagnosticados com microcefalia em locais onde ocorria a circulação do ZIKV. Na Ă©poca, o Brasil declarou EmergĂȘncia em SaĂșde PĂșblica de ImportĂąncia Nacional (Espin). Posteriormente, em fevereiro de 2016 a Organização Mundial da SaĂșde (OMS) declarou EmergĂȘncia em SaĂșde PĂșblica de ImportĂąncia Internacional (Espii).

“Essa nova doença congĂȘnita, resultante da infecção pelo ZIKV no perĂ­odo gestacional, passou a ser denominada de sĂ­ndrome congĂȘnita associada Ă  infecção pelo vĂ­rus Zika (SCZ), que Ă© caracterizada por um conjunto de anomalias congĂȘnitas, estruturais e funcionais, com repercussĂ”es no crescimento e no desenvolvimento dos embriĂ”es ou dos fetos expostos ao vĂ­rus durante a gestação”, destaca o documento.

Entre os anos de 2015 e a SE no 31 de 2023 foram notificados ao MinistĂ©rio da SaĂșde 21.779 casos suspeitos de SCZ, dos quais 3.753 (17,2%) foram confirmados para alguma infecção congĂȘnita. Do total de casos confirmados, 1.858 (49,5%) foram classificados como casos de SCZ.

Pode-se observar que entre os 566 casos suspeitos notificados em 2023 a maioria era constituĂ­da de recĂ©mnascidos (413; 73%). Destes, um caso em natimorto foi confirmado para SCZ e sete casos de nascidos vivos foram confirmados para alguma das STORCH (sĂ­filis, toxoplasmose, rubĂ©ola, citomegalovĂ­rus e herpes simplex), infecçÔes congĂȘnitas tambĂ©m responsĂĄveis pela ocorrĂȘncia de anomalias. Destaca-se que 90% (508) dos casos notificados em 2023 ainda estĂŁo em investigação.

O diagnóstico de um caso de SCZ é complexo e pode ocorrer no período gestacional, no parto ou no período pós-natal. AlteraçÔes neuropsicomotoras podem ser perceptíveis e diagnosticadas a qualquer momento após o nascimento e, por muitas vezes, durante o desenvolvimento da criança, o que geralmente requer a realização de exames de média e alta complexidade. Isso pode explicar, em parte, o prolongado tempo para encerramento de uma parcela importante dos casos suspeitos. Vale destacar, contudo, que um alto percentual de casos em investigação compromete o conhecimento fidedigno do cenårio epidemiológico da SCZ no Brasil.

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