17 de junho de 2024

Cidade do Acre está entre as 6 do Brasil monitoradas diariamente por riscos de terremotos

Até março deste ano, a cidade teve dois tremores de terra que, no entanto, não abalaram a população por causa da profundidade

Os problemas climáticos e geográficos enfrentados pelo Estado do Rio Grande do Sul desde o final do mês passado, que também enfrentou ocorrência de tremores de terra, colocou em alerta as autoridades que monitoram o fenômeno no território nacional. No Brasil, seis cidades têm alto potencial para terremotos de grandes proporções, apontam os dados. Entre essas cidades, está Tarauacá, no interior do Acre.

O município acreano de Tarauacá teve o último tremor de terra detectado numa madrugada de domingo (28 de março)/Foto: Reprodução

Em 2024, até março, em oito dias, Tarauacá registrou terremoto de magnitude 6,6 na escala Richter, uma escala logarítmica que não possui unidade de grandeza expressa. Seu cálculo é feito com base nas ondas sísmicas registradas pelos sismógrafos. Sua gradação foi convencionada de 1 a 10, mas não existe limite mínimo ou máximo.

O município acreano de Tarauacá teve o último tremor de terra detectado numa madrugada de domingo (28 de março). O abalo foi de 6,5 e foi captado pela Agência de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos (USGS).

De acordo com a agência, o epicentro foi localizado a 609,5 km de profundidade e a 66 km da zona urbana do município. Ainda conforme o monitoramento, apesar da magnitude, o tremor não ofereceu risco à superfície por conta da profundidade na qual ocorreu. Não houve ocorrências graves com o tremor, divulgou na época o Corpo de Bombeiros do Acre no município. Apesar da profundidade, moradores relatam terem sentido o tremor até na capital Rio Branco, localizada a mais de 400 km de Tarauacá.

Município de Tarauacá visto de cima/Foto: Reprodução

Em junho de 2022, um terremoto de magnitude 6,5 atingiu também a região da fronteira entre o Peru e o Brasil. O tremor ocorreu por volta de 22h no horário de Brasília, a uma profundidade de 616 km e a cerca de 111 km da cidade de Tarauacá. Este terremoto é mais um que entra para a lista dos maiores já registrados no Brasil. Em janeiro de 2019, os moradores de Tarauacá sentiram um terremoto que, de acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), chegou à magnitude 6,8.

Pesquisadores informam que as ocorrências em Tarauacá são decorrentes da proximidade da região com a Cordilheira dos Andes, no Peru. “A região amazônica próxima à Cordilheira dos Andes registra tremores dessa magnitude (6,6), com profundidades que variam de 300 a 600 km. Esses terremotos acontecem porque a região concentra duas placas tectônicas. O abalo acontece quando a placa de Nazca, que é mais pesada, mergulha sob a placa sul-americana”, detalham pesquisadores.

Além de Tarauacá, outras seis cidades são monitoradas diariamente pelo Instituto de Geociências da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), segundo pesquisa divulgada esta semana em Belo Horizonte. De acordo com a pesquisa, no território brasileiro há 48 falhas geológicas mestras, “algumas delas com quilômetros de extensão”, segundo o professor Allaoua Saadi, coordenador da pesquisa.

A pesquisa pôs por terra a ideia segundo a qual no Brasil não ocorrem terremotos. Esse consenso vem do fato de os abalos sísmicos no Brasil não terem a intensidade dos que acontecem em outros países, como no Japão e nos Estados Unidos, e raramente causam estragos significativos.

Os estudos, no entanto, mostraram que isso não é verdade. Os terremotos e a ocorrência deles no Brasil decorrem das chamadas falhas geológicas (também conhecidas como falhas tectônicas), aponta a pesquisa, que são as estruturas da crosta do planeta que dão origem aos terremotos.

Tais formações geológicas existem no Brasil, e várias cidades do país estão em cima delas, segundo estudos geológicos recentes. A grande diferença é que o Brasil está praticamente no centro da placa tectônica sul-americana, o que torna mais rara a possibilidade de tremores fortes, geralmente registrados nas bordas dessas placas de tamanho continental, apontam os dados da pesquisa. A maioria das falhas está no Sudeste e Nordeste do território nacional, mas há registros também na região amazônica, incluindo o território do Estado do Acre.

De acordo com os pesquisadores, mesmo com o mapeamento sobre os locais das possíveis ocorrências, é praticamente impossível prever onde e quando precisamente ocorrerão terremotos. Não se sabe também qual grau de intensidade deles, “mas é certo afirmar que é nessas regiões do país que os terremotos terão seu epicentro”.

Localizadas exatamente em cima de falhas geológicas, em regiões diversas do território do país, as cidades a seguir são as que oferece mais riscos:

1 – João Câmara (RN)

A cidade está localizada na falha de Samambaia e já registrou diversos tremores de terra. Em agosto de 2022, moradores sentiram nove abalos sísmicos na cidade.

2 – Itacarambi (MG)

Minas Gerais é o estado brasileiro que registra mais atividades sísmicas. Segundo mapa tectônico, sete falhas geológicas cortam o estado (são elas: BR 24, 25, 26, 27, 28, 29 e 47). A 47 está localizada no norte do estado, exatamente abaixo do município de Itacarambi, que registrou um terremoto de 4,9 graus na escala Richter em dezembro de 2007.

3 – Cubatão (SP)

A falha de Cubatão, descoberta em 1987 no litoral de São Paulo, faz parte de um sistema de mais de 2.000 km de extensão, com uma rede de falhas diferentes entre si, e que foi nomeado Sistema de Falhamento Cubatão.

4 – Porangatu (GO)

O município de Porangatu, no norte de Goiás, é outra cidade em cima de falha geológica brasileira, a qual leva o nome da cidade (Zona de Falhas de Porangatu). Em abril de 2022, um terremoto de 3,7 pontos na escala Richter assustou os moradores durante a madrugada.

5 – Tarauacá (AC)

Esta cidade do Acre está muito próxima do epicentro do maior terremoto já registrado no Brasil — 6,5 graus na escala Richter, em junho de 2022. Tarauacá também é o município do estado com mais ocorrências de abalos sísmicos. Tudo porque está em cima da falha de Tarauacá, que corta o estado em duas partes.

Apesar dos abalos constantes na região, a profundidade deles passa dos 500 km, o que diminui o risco de danos e de eles serem percebidos pelos moradores. Somente em 2015, ano em que estudos completos foram feitos na região, mais de 15 terremotos foram sentidos na cidade.

Ajuda também o fato de a cidade estar próxima de duas placas tectônicas muito ativas: a Sul-Americana e a de Nazcar, ambas nos Andes.

6 – Vale do Jaguaribe (CE)

Uma grande falha geológica sob a cidade cearense, distante 300 km de Fortaleza, gera terremotos considerados de baixa magnitude. Alguns dos mais recentes ocorreram em março de 2016, com magnitudes de 3,1 e 3,4 graus na escala Richter.

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