O diretor do presídio de Cruzeiro do Sul, Elves Barros, detalhou nesta segunda-feira (2), como ocorreu a fuga de seis detentos do sistema prisional do Juruá, em unidade localizada no município de Cruzeiro do Sul.
Segundo ele, a fuga foi registrada por volta das 13h30, logo após a entrada da primeira turma de visitantes no bloco 7. Nesse momento, presos do bloco 8 aproveitaram a movimentação para deixar a unidade.
“Ontem, por volta de 13h30 da tarde, logo após a entrada da primeira turma das visitantes dentro do bloco 7, os presos do bloco 8 aproveitaram o momento para empreender fuga, onde foi visualizado pelo policial que estava na guarita e o mesmo acionou o restante da equipe”, explicou o diretor.

Diretor do presídio de Cruzeiro do Sul, Elves Barros/Foto: ContilNet
De acordo com Barros, equipes foram mobilizadas imediatamente para a tentativa de recaptura.
“Logo então, foram formadas as equipes de tentativa de recaptura. Desde o momento da fuga, nós temos equipes em campo. Fizemos o adentramento de região de mata com os policiais para que a gente pudesse lograr êxito na recaptura desses presos”, afirmou.
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Um dos fugitivos foi recapturado ainda nas proximidades do presídio. Os demais continuam foragidos.
“Tanto que um, de imediato, a gente conseguiu recapturar nas proximidades do presídio. Os outros, a gente ainda está à procura, tentando informações agora. Nesse momento, vamos trabalhar com mais questões de informações para que a gente possa tentar recapturá-los.”
Os seis detentos, conforme o diretor, ainda não possuem sentença definitiva e aguardavam julgamento no bloco 8, mas são considerados de relevância para a Segurança Pública.
“Eles ainda não estão sentenciados. São do bloco 8, onde é uma ala que os presos ainda não estão sentenciados, porém aguardando o julgamento. E temos alguns presos relevantes para a Segurança Pública.”
Barros confirmou ainda que todos os envolvidos são integrantes da organização criminosa Comando Vermelho.
Sobre a dinâmica da fuga, o diretor detalhou que os presos utilizaram estruturas improvisadas.
“Eles utilizaram ferros retirados da parede, quebraram a cela 12 e a cela 13, subiram no alambrado da retaguarda do bloco, que é a área de banho de sol. Logo após, utilizaram uma corda feita de blusas, utilizaram as vestimentas para fazer uma corda, desceram por essa corda e seguiram em direção ao alambrado externo, onde tiveram acesso à região de mata.”
A operação de busca contou com apoio de outras forças de segurança e até sobrevoo na área.
“Contamos com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil, que incorporaram na missão e pudemos fazer a varredura nessa região de mata e ainda continuamos as buscas. Tivemos o apoio também do Sr. Pae, que fez o sobrevoo na região.”
O diretor ressaltou que o horário de visitas e as condições climáticas dificultaram a ação.
“Toda uma situação que dificultou, onde tivemos que fazer a evacuação primeiramente do bloco onde estava tendo visita, dos dois blocos que estavam tendo visita. O bloco 2 também estava em visita. Tivemos também o problema climático de chuva, muita chuva naquele momento aqui na região, foi no exato momento da chuva. Mesmo assim seguimos a tentativa de recapturá-los.”
Após a fuga, a unidade entrou em protocolo de segurança máxima, com suspensão temporária das atividades internas.
“Estamos em medida de segurança, todo o presídio está em situação de segurança, onde toda a movimentação está sendo cancelada por enquanto. Nesse bloco, vamos fazer toda uma reestruturação, que teve três celas que foram danificadas. Então, vamos ter que fazer essa reestruturação e, posteriormente, informamos se vai acontecer ou não visitas normalmente no bloco 8.”
Por medida preventiva, internos de quatro celas foram realocados.
“Nós tivemos que realocar as duas celas das laterais das celas que foram quebradas, por medida de segurança, ou seja, nós tivemos que movimentar quatro celas.”
O diretor também lembrou que, no ano passado, outra fuga ocorreu durante forte chuva, quando oito presos deixaram a unidade. Parte deles ainda segue foragida.
“Ainda não, ainda temos presos foragidos que continuam foragidos e a gente também continua na busca. Informamos que a população pode ajudar, dando informações, ligando para as forças policiais para que a gente possa chegar até esses foragidos e dar uma segurança a mais à sociedade.”
Por fim, Barros reconheceu que fatores estruturais e geográficos representam desafios adicionais.
“Sim, nós estamos tentando superar todas essas dificuldades e ainda assim continuamos nas buscas para tentar recapturar o mais rápido possível.”
