O apoio a Flávio Bolsonaro dominou um dos momentos mais políticos da convenção que oficializou a candidatura de Tião Bocalom (PSDB) ao governo do Acre, neste sábado (31), no SESI Bosque. Diante de um auditório lotado, o ex-prefeito de Rio Branco deixou de lado o discurso administrativo para entrar na disputa nacional e mandou um recado aos adversários.
Sem citar nomes, Bocalom afirmou que os demais candidatos ao governo evitam declarar apoio ao presidenciável do PL, enquanto ele fez questão de assumir publicamente sua posição.
“Os outros candidatos não assumiram Flávio Bolsonaro. Eu nunca deixei de dizer que sou do Flávio Bolsonaro. Eu não tenho vergonha, eu não tenho medo. Gosto da honestidade, da seriedade e do trato da coisa pública”, discursou, sendo aplaudido pelos apoiadores.
Na sequência, elevou o tom ao defender que o eleitorado acreano tem um posicionamento político consolidado.
“O Acre é de direita. O Acre gosta da coisa honesta. O Acre quer se desenvolver.”
A fala tem peso político porque ocorre justamente no momento em que o PSDB nacional tenta se afastar da polarização entre PT e bolsonarismo. Em entrevista ao SBT, o presidente nacional da legenda, Paulo Serra, afirmou que o partido não apoiará nem o PT nem Flávio Bolsonaro no primeiro turno e defendeu a construção de uma candidatura de centro, citando nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
No Acre, porém, Bocalom segue outro caminho. Um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado desde as eleições de 2018, o tucano transformou o apoio a Flávio Bolsonaro em uma marca de sua campanha, mesmo filiado a um partido cuja direção nacional adota um discurso diferente.
Ao afirmar que “o Acre é de direita”, Bocalom também tenta reforçar a identidade do seu eleitorado e marcar uma diferença em relação aos concorrentes na disputa pelo Palácio Rio Branco, colocando o alinhamento com o bolsonarismo como um dos eixos centrais da campanha.
