Joesley diz a Temer que está ‘segurando’ dois juízes e que tem informantes

Diálogo foi gravado no Palácio do Jaburu e faz parte da delação do dono da JBS na Lava Jato

Em um trecho da conversa gravada pelo dono da JBS Joesley Batista com Michel Temer, o empresário fala de sua situação como investigado da operação Lava Jato e revela ao presidente que está “segurando” dois juízes e que conseguiu uma pessoa “dentro da força-tarefa”. “Também tá me dando informação”, afirma.

Temer ouve o relato de Joesley sobre como o empresário tenta driblar as investigações e não faz nenhum comentário objetivo sobre o relato de Joesley.

Sobre esse trecho da gravação, Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota afirmando que “o presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem”. “O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, diz o texto.

Veja a conversa. Foto: Divulgação

Veja a transcrição do trecho da conversa:

Temer: Tem que manter isso, viu…
Joesley: Todo mês, também, eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado, assim, no processo assim…
Temer: [inaudível]
Joesley: Isso, isso, é, investigado. Eu não tenho ainda a denúncia. Então, aqui eu dei conta de um lado do juiz, dá uma segurada, do outro lado o juiz substituto que é um cara que ficou…
Temer: Está segurando os dois…
Joesley: É, segurando os dois. O, eu consegui um [inaudível] dentro da força tarefa que tá…
Temer: Tá lá…
Joesley: …Também tá me dando informação. E lá que eu estou para dar conta de trocar o procurador, que está atrás de mim. Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar, e tal. O lado ruim é que se vem um cara como…

Procurador preso

Após a delação dos donos da JBS, a Polícia Federal foi ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (18) e cumpriu mandados de busca. A intenção é encontrar documentos que possam servir de prova contra o procurador da República Ângelo Goulart Villela, que trabalha na Corte Eleitoral, e que foi preso pela corporação nesta manhã. A defesa dele não foi localizada.

De acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Villela foi preso por suposto envolvimento com a operação Greenfield – que apura fraudes em fundos públicos de pensão e favorecimento a uma empresa de celulose controlada pelo conglomerado J&F, que também abarca o frigorífico JBS.

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