Rio Branco, Acre,


Cofen notifica Huerb por irregularidades e encontra até doces junto com soros e remédios

Nos relatos constam falhas na higienização de material, estrutura física das instituições e até mesmo cargas horárias excessivas com os profissionais de enfermagem

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Cofen notificou o Huerb por diversas irregularidades registradas na unidade

A ContilNet decidiu produzir uma série de reportagens abordando os relatos constatados pela Força Nacional de Fiscalização do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em suas visitas de inspeção nas unidades de saúde no estado.

Nos relatos constam falhas na higienização de material, estrutura física das instituições e até mesmo cargas horárias excessivas com os profissionais de enfermagem.

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Confira abaixo a situação em que se encontra o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).

Huerb

A Força de Fiscalização Nacional do Cofen atua em prol de inspecionar as reais condições de trabalho e o atendimento prestado nas unidades de saúde pelos profissionais de enfermagem. A fim de evitar que falhas e irregularidades sejam maquiadas, os fiscais chegam às instituições de surpresa e avaliam desde toda a estrutura física das unidades até os relatórios requisitados junto à direção.

De acordo com informações colhidas junto às equipes de inspeção e assessoria do Cofen, ao chegar ao Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) a equipe se deparou com uma série de improvisos não recomendados e infiltrações na estrutura predial da unidade.

Na sala de medicação, por exemplo, o dreno do ar-condicionado se encontra saindo na mesma pia onde é feita a higienização e desinfecção de equipamentos utilizados pelo corpo de enfermagem, como o material de nebulização, por exemplo. Também é nessa pia, sustentada por dois pedaços de madeira apenas, que são manuseados os medicamentos destinados aos pacientes, aumentando o risco de contaminação de infecções hospitalares e a transmissão de germes e bactérias no local.

Não bastando a falta de isolamento entre o material higienizado e o que se encontra sujo, ao abrir a geladeira, teoricamente responsável por manter na temperatura ideal uma série de medicamentos e bolsas de soro fisiológico, a equipe encontrou uma garrafa de refrigerante congelado, uma caixa de leite aberta e uma espécie de doce, produzido à base de chocolate, destampado, o que supostamente acaba por colocar em risco a integridade dos medicamentos armazenados, assim como também a saúde de quem vier a consumir os produtos.

Segundo o vídeo gravado pela assessoria do Cofen, na sala de repouso dos técnicos de enfermagem não há condições adequadas para atender ao descanso do corpo de profissionais da unidade. Colchões avariados, lençóis rasgados, ausência de iluminação, pia fora de funcionamento, vaso sanitário com problemas na descarga e infiltração na parede do banheiro fazem parte dos problemas encontrados na realidade da rotina de trabalho dos enfermeiros do Huerb.

Na ida até a ala de pediatria, descobriu-se que o atendimento realizado pelo médico é feito no mesmo espaço de observação dos pacientes pediátricos, o que acaba elevando o risco de infecções hospitalares e tirando toda e qualquer privacidade das crianças em observação. Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital foi constatada uma série de irregularidades no piso e falta de material necessário ao atendimento como luvas de procedimento, capote, máscaras N95 e antibióticos. Já no centro cirúrgico da unidade foram feitas fotos de equipamentos vencidos.

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Fiscais analisam carga horária dos servidores do Huerb

Carga horária

Na checagem dos relatórios apresentados pela própria instituição, os fiscais relataram uma situação em que um profissional de enfermagem já estaria lotado na sua jornada de trabalho a 36 horas, condição sobre-humana que supostamente afetaria o condicionamento físico e níveis de atenção do profissional na hora de prestar o devido atendimento a um paciente.

Providências

Questionado sobre as medidas tomadas pelo Cofen em relação às condições não adequadas de atendimento nas unidades de saúde, o coordenador da Força Nacional de Fiscalização, Walquírio Costa Almeida, esclareceu que as instituições são notificadas das irregularidades no ato da inspeção e já é definido um prazo para adequação, que varia de acordo com a necessidade da situação.

Walquírio destaca que é de extrema importância a fiscalização rotineira do conselho para que os reflexos positivos das adequações sejam mantidos.

“De imediato é repassado esse documento para as instituições com as irregularidades constatadas e os devidos prazos para adequação. Para aquelas vinculadas ao governo do estado, nós também enviaremos uma cópia para a Secretaria de Saúde (Sesacre) e para o Ministério Público (MP/AC), para que tomem ciência. A fiscalização rotineira fica a cargo do Coren e em breve, com uma equipe um pouco menor, deve haver o retorno dessa Força de Fiscalização para checagem das adequações”, explicou.

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Huerb é notificado por usar equipamentos vencidos

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