Acreano e estudante de escola pública faz doutorado fora do país e diz: “Tudo é possível”


"Não é a Escola A ou B que faz o aluno, mas o aluno que faz a Escola", disse em entrevista

REDAÇÃO CONTILNET

Vencer na vida, por meio da educação, é ainda um dos maiores desafios. A história do professor acreano, Rômulo Damasclin Chaves dos Santos, filho de comerciante e dona de casa, mostra que a superação sempre bate à porta, mesmo quando as circunstâncias não são aparentemente oportunas.

Rômulo, que estudou dos oito anos de idade até o fechamento do ensino médio na Escola Estadual Neutel Maia, em Rio Branco, cursou matemática na Universidade Federal do Acre (Ufac), passou em um concurso público, foi aprovado em 3 bolsas de mestrado fora do estado, completou um deles e finalizou um doutorado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em Portugal, na área de Matemática Aplicada.

Rômulo estudou em escola pública desde os 8 anos/Foto: arquivo pessoal

Após a conclusão da graduação, Damasclin trabalhou como professor substituto no Departamento de Matemática e Estatística da UFAC, em vários municípios do Estado do Acre, ministrando diversas disciplinas. De acordo com ele, essa foi a sua porta de entrada para o sucesso que estava por vir.

“Minha vida com a educação mostra que querer é mais importante do que ter possibilidades. Só consegui ir em frente porque tive um sonho e, aliada a esse sonha, estava a disponibilidade”, destacou.

Ao final de dois anos, quando o tempo na instituição de ensino já estava encerrando, o professor se submeteu a outro concurso público, dessa na vez pela Caixa Econômica Federal, onde foi aprovado e passou a trabalhar.

“Após 2 anos e meio de serviço no Banco, decidi solicitar afastamento (sem ônus) para dar prosseguimento em minha carreria profissional. Então, participei de 5 processos seletivos para Mestrado, sendo aprovado em 3, sendo estes: Universidade Federal de Alagoas (UFAL – Matemática Pura), Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI – Eng. Mecânica), Pontífícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Eng. Elétrica), todas com Bolsa de Estudos CAPES. Optei por uma questão de custo/benefício pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI, que fica no Sul de Minas de Gerais, referência Nacional nas áreas de Engenharias), onde realizei o Mestrado em Eng. Mecânica na área de Dinâmica dos Fluidos e Máquinas de Fluxo em apenas 2 anos (2012-2014). Mesmo cursando o Mestrado na UNIFEI, surgiu concurso também para Professor Substituto pelo Departamento de Matemática e de Computação da mesma Universidade, onde fui aprovado e em seguida, fui ministrar várias disciplinas”, comentou.

A história não parou por aí. Faltando apenas seis meses para concluir o Mestrado, Rômulo participou de um Processo Seletivo para Doutorado em Matemática Aplicada pelo Programa Ciências Sem Fronteiras (isso nos meses finais do ano de 2013) para as Universidades de Coimbra e do Porto, em Portugal (ambas centenárias), onde havia apenas 5 vagas disponíveis e um total de mais de 200 candidatos inscritos. O estudante de escola pública foi contemplado.

Rômulo é PhD atualmente/Foto: Reprodução

“Fui aprovado em ambas as universidades. Pelo meu perfil, fui direcionado a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, para cursar o Doutoramento em Matemática Aplicada. Tudo era muito novo. Eu estava em um outro país, mas ao mesmo tempo, muito feliz, realizado”, comemorou.

Mais um Golias derrubado. Chaves já era quase um doutor.

“Depois de aprovado com excelência em todas as cadeiras, iniciei minha pesquisa dando continuidade ao que foi iniciado no Mestrado, mas com outro enfoque. Com a conclusão da minha pesquisa, apresentei e defendi minha tese perante uma banca composta por professores doutores de Portugal e também do Brasil, tendo sido aprovado por unanimidade, após 3 horas de intensa sabatina”, explicou.

Ainda não satisfeito plenamente com as conquistas, o rapaz saiu de Portugal e voltou para o Brasil, onde tentou o pós-doutorado por várias universidades: “Após a conclusão do doutorado, participei então de três processos seletivos para pós-doutorado em minha área. Optei em ficar no ICMC/USP, já que foi a primeira instituição a emitir o resultado do processo seletivo. Atualmente, em linhas gerais, trabalho em uma pesquisa que envolve simulação numérica de escoamento em meios porosos em reservatórios de petróleo (fluidos não-Newtonianos), considerando vários fenômenos físicos envolvidos”.

Defesa do doutorado/Foto: Reprodução

Ao falar sobre os ‘degraus’ alcançados em todos esses anos, Rômulo avalia que seu destaque não se deve diretamente ao tipo de escola que estudou, mas, especificamente, à determinação que teve.

“O facto de ter sido aluno de Escola Pública, não me impediu de sonhar, crescer profissionalmente e realizar novos projetos, sejam estes, envolvendo uma natureza individual ou coletiva. Tudo é possível quando se tem foco, disciplina e determinação. Não é a Escola A ou B que faz o aluno, mas o aluno que faz a Escola, já me dizia um sábio Professor”, salientou.

Damasclin é casado atualmente com Diana Guimarães de Oliveira dos Santos, que visualiza de forma muito positiva a vitória do esposo: “Ele é exemplo, amor em forma de superação”.

Rômulo e a esposa/Foto: Reprodução

O PhD disse durante a entrevista que tem um carinho especial pelo estado e que em breve, deve retornar para expandir seus estudos e firmar-se com a família. Agradecendo, saudou aos conterrâneos e amigos.

“Um abraço ao meu querido Estado do Acre. Um abraço aos meus familiares. Um abraço a todos aqueles que desejam e sonham por uma Educação em nosso Estado com mais qualidade; uma Educação que possa promover e gerar mais oportunidades para os nossos estudantes, das mais diferentes classes e áreas do ensino”, finalizou.

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