Eleições nos EUA: veja como ficam a Câmara e o Senado após as eleições


Nas eleições de meio de mandato definiram uma nova Câmara (435 deputados) e renovaram um terço do Senado. Bom desempenho das mulheres nas urnas chama a atenção

G1

O Partido Democrata conseguiu eleger até o momento 219 deputados enquanto o Partido Republicano, de Donald Trump, garantiu 193 vagas na Câmara. Já no Senado, os republicanos ampliaram sua vantagem ao eleger 51 representantes. O desempenho das mulheres nas urnas já chama a atenção.

As “midterms” (eleições de meio de mandato) desta terça (6) definiram uma nova Câmara (435 deputados) e renovaram um terço do Senado, além de mais de 75% dos governos estaduais.

Os democratas tomaram ao menos 26 assentos dos republicanos, em estados como Pensilvânia, Flórida, Colorado, Kansas, Nova Jersey, Nova York e Virgínia.

Mapa da Câmara de Representantes dos EUA  — Foto: Juliane Souza/ G1

Mulheres

Em uma eleição marcada por um número significativo de candidatos jovens, mulheres e de minorias étnicas e sexuais, o desempenho feminino foi destaque.

Até a manhã desta quarta-feira, 92 mulheres haviam sido eleitas para a Câmara, superando o recorde anterior de 84, de acordo com o “The Guardian”

Já no Senado, 10 mulheres foram eleitas, elevando o número total de mulheres que atuarão no Senado para 23. A Casa possui 100 cadeiras, sendo que 35 delas estavam em disputa.

Alexandria Ocasio-Cortez (Nova York), de 29 anos, membro da ala esquerda do Partido Democrata, foi eleita deputada e se tornou a mais jovem no Congresso.

Duas muçulmanas na Câmara

As democratas Ilhan Omar (Minnesota) e Rashida Tlaib (Michigan) são as primeiras muçulmanas eleitas para o Congresso.

Ilhan Omar, que teve 78,2% dos votos no 5º distrito de Minnesota, nasceu na Somália e chegou ao país como refugiada. Quando ela tinha apenas oito anos, a sua família fugiu de uma guerra civil que dilacerou o país africano. Eles passaram quatro anos no Quênia e, depois, pediram refúgio nos Estados Unidos.

Já Rashida Tlaib tornou-se a primeira mulher de origem palestina a se eleger na Câmara. Ela venceu com 88,7% dos votos no 13º distrito do Michigan.

Duas indígenas

Duas mulheres são as primeiras de origem indígena a se elegerem para a Câmara.

Deb Haaland venceu pelo 1º do Novo México com 59,1% dos votos. Membro da tribo Laguna Pueblo, Haaland é uma ativista de longa data que fez campanha pelo impeachment de Trump.

Sharice Davids, advogada e ex-lutadora de MMA, venceu pelo 3º distrito do Kansas. Também é a primeira deputada lésbica eleita pelo estado. Ela nasceu na tribo Ho-Chunk Nation, de Wisconsin.

Senado

Das 35 cadeiras disputadas no Senado, os republicanos ampliaram sua vantagem para 51 enquanto os democratas conseguiram obter 45 assentos.

Os democratas foram forçados a defender dez cadeiras em estados pró-Trump. Resistiram na Virgínia Ocidental e em Nova Jersey, mas perderam no estado-chave de Indiana, no Missouri e na Dakota do Norte, terras conservadoras.

Como fica o Senado dos EUA após eleições  — Foto: Juliane Souza/ G1

Os republicanos conquistaram uma vitória valiosa ao manterem a vaga de Ted Cruz no Texas, apesar dos milhões de dólares gastos para apoiar o astro democrata Beto O’Rourke.

Câmara: revés ou sucesso?

O resultado da eleição, que era vista como uma espécie de referendo sobre o governo atual, pode ser analisado como uma derrota parcial para Trump já que o seu partido contava maioria nas duas casas até as “midterms” (eleições de meio de mandato) desta terça (6).

O presidente americano minimizou o revés e disse que foi um “tremendo sucesso” embora o resultado possa mudar a dinâmica política do país na etapa final do seu mandato.

Para o colunista do G1 Helio Gurovitz, a comemoração faz sentido: “O placar foi mais apertado do que os democratas gostariam”, avaliou.

No entanto, a maioria conquistada é suficiente para rejeitar qualquer iniciativa legislativa do Executivo e até para denunciar o presidente em um processo de impeachment (nos Estados Unidos, a denúncia exige maioria simples na Câmara; a condenação, dois terços no Senado), segundo análise de Gurovitz.

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