Rio Branco, Acre,

O espião: Google ouve suas conversas através do Google Home/Assistente

A reportagem conseguiu conversar com um funcionário de uma empresa responsável pelas transcrições de áudio

Funcionários do Google ouvem gravações feitas com os alto-falantes inteligentes Google Home e por meio do aplicativo Google Assistente em smartphones. A revelação foi feita por uma reportagem da emissora belga VRT NWS. Os responsáveis por transcrever esse amontado de áudios produzidos pelos usuários dos sistemas baseados em IA do Google conseguem ter acesso a informações como nomes e endereços.

Mais chocante é o fato que essas gravações nem sempre acontecem apenas quando o usuário diz a palavra passe que coloca a assistente em estado de alerta para entregar a solicitação. A reportagem, conduzida pelo jornalista Tim Verheyden, diz que o Google Home, em certas ocasiões, começa a gravar de forma aleatória, tornando o gadget uma verdadeira escuta.

Dos mais de 1000 trechos gravados que o VRT recebeu, 153 foram gravados inconscientemente , sem que o usuário tenha dado o pedido ao Google Assistente. Se alguém na vizinhança falar uma palavra parecida com “Google”, a gravação começa.


A reportagem destaca que os dados valem muito para o Google. É uma empresa bilionária com poucos produtos físicos, mas com um modelo de negócio baseado inteiramente em dados – o bem mais precioso do mundo moderno. É inegável que o Google lança produtos extraordinários, vide o caso da linha de smartphones Pixel, mas ao mesmo a empresa está cada vez mais chafundada em acusações de violação de privacidade.

A reportagem conseguiu conversar com um funcionário de uma empresa responsável pelas transcrições de áudio. Ele declarou que cada funcionário é responsável por transcrever cerca de mil áudios por semana. Assim como os moderadores de conteúdo da internet (entenda melhor assistindo ao episódio CTRL na série documental Rede Sombria na Netflix), os responsáveis por ter acesso a esses áudios acabam se deparando com a realidade nua e crua das pessoas, que passa, inclusive, por casos de violência doméstica. O entrevistado declarou que em uma das gravações foi possível ouvir a voz de uma mulher em apuros!

Os termos de serviço do Google Home não menciona que as gravações do dispositivo são ouvidas por outros humanos. O Google respondeu a reportagem da VRT NWS. A companhia diz que usa somente cerca de 0,2% de todos os clipes de áudio e que o objetivo desse recolhimento é melhorar a sua tecnologia de reconhecimento de voz.

O Google também declarou que os usuários podem gerenciar os dados armazenados em suas contas. Por exemplo, eles podem desativar completamente o salvamento de clipes de áudio em sua conta do Google ou optar por excluí-los após 3 ou 18 meses.

Com esse fator de gravação aleatória, sem que o usuário diga “Hey Google”, não há nada que possa ser feito para evitar que o dispositivo efetue os registros, quem se sentir incomodado a única saída é não aderir a esse tipo de assistente virtual em casa. Mas, isso não o resguardará totalmente de um anonimato, uma blindagem contra as múltiplas maneiras que o Google e tantas outras empresas utilizam para conhecer cada vez melhor o mundo.

Assim como o Google, a Amazon também trabalha com uma equipe internacional que ouve melhorar o reconhecimento de fala do Amazon Echo. Essa força-tarefa envolve milhares de funcionários em tempo integral e em vários países, como Estados Unidos, Costa Rica e Romênia. Muitos trabalham nove horas por dia e ganham muito pouco com isso.


O preço a ser pago por dispositivos cada vez mais inteligentes, verdadeiros assistentes que podem tornar tarefas rotineiras ainda mais interessantes, é a dissolução da privacidade. Não apenas em serviços “gratuitos”, que usam nossos dados como uma espécie de tarifa, em produtos pagos há a mesma estratégia, tendo como justificativa o refinamento que irá tornar a experiência para o usuário ainda mais completa e assertiva.

Também é necessário ser sincero: a privacidade é importante para nós, mas assim que uma vantagem está ligada a ela, muitas vezes desistimos dela em troca desses avanços. Um aparelhinho que consegue nos informar sobre o tempo, nos manter em alerta com nossa agenda de tarefas, reproduzir músicas, leitura de notícias, entre tantas outras coisas, são as vantagens oferecidas. Em contrapartida, a privacidade vai se tornando cada vez mais escassa. A cada dia estamos nos aproximando do que o relatório “The Future of Privacy” de 2014, alertou: a privacidade na internet em 2025 será apenas uma mera lembrança.

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