Rio Branco, Acre,


Gladson Cameli e líderes indígenas discutem demandas apresentadas ao Estado

Gladson Cameli afirmou que a cobrança feita pelos indígenas é vista com bons olhos

O governador Gladson Cameli recebeu, na tarde desta quarta-feira, 28, no Palácio Rio Branco, uma comitiva de líderes indígenas das etnias Huni Kuin, Manchineri, Jaminawa, Kulina e Yawanawá, para ouvir suas demandas no Estado. O secretário de Meio Ambiente, Israel Milani, também participou da reunião, que contou com a participação virtual, via internet, de lideranças indígenas de Feijó.

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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) vinha recebendo, dos indígenas e de instituições do Estado, pedidos de explicação sobre as ações financiadas por diferentes fontes, a exemplo do Programa de Saneamento Ambiental Integrado e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser) do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird).

Gladson Cameli afirmou que a cobrança feita pelos indígenas é vista com bons olhos: “Garanto que aqui é menos mídia e mais ação. É o contrário dos que podem ter usado os indígenas apenas para obter algum benefício, mas não quero entrar nesse mérito. Cabe a mim unir forças com o governo federal e com cada um de vocês para que possamos tentar amenizar os problemas”.

Todas as lideranças indígenas puderam se manifestar diretamente ao governador. Gladson Cameli disse que o exercício do cargo tem feito com que compreenda mais as causas indígenas. Contou que recentemente pernoitou numa aldeia yawanawá, acompanhado da primeira-dama Ana Paula Cameli. “Eu me senti muito bem lá, no meio da nossa floresta, com a energia positiva e a determinação dos povos indígenas, por quem tenho grande respeito. Senti paz de espírito e renovação das energias, pois não é fácil estar onde estou”, relatou.

Segundo Cameli, o seu objetivo como “jovem governador” não é prejudicar, mas estender as mãos e poder ajudar os povos indígenas do Acre: “Não vou a nenhuma aldeia indígena falar de eleição, tratar de política. O governo tem que ter a humildade de sentar e ouvir, como estamos fazendo agora. A Covid-19 veio para ajudar a mudar as nossas concepções e, com isso, fazer que a gente possa mudar as nossas prioridades. Digo, do fundo do meu coração: ai de nós sem vocês”.

O governador pediu para que as lideranças indígenas listem todas as demandas. “Vou analisar uma a uma e serei claro, objetivo e sincero: aquilo que for possível fazer, faremos; o que não for possível fazer, diremos. Não vou criar expectativa sobre o que não posso cumprir”, afirmou.

A Sema consultou a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) sobre alternativas e estratégias para viabilizar projetos e execução de várias ações a eles relacionadas. A secretaria dispõe de cerca de R$ 15 milhões para elaborar, atualizar e revisar os planos de gestão indígenas nas 34 terras indígenas do Acre.

Como as lideranças indígenas já se encontravam em circulação fora de suas terras, foram convidadas pelo secretário Israel Milani para discutir estratégias e metodologias alternativas para viabilizar as atividades, sob pena de perder os recursos destinados.

Para melhor planejar e viabilizar as atividades, a Sema e o Gabinete Civil decidiram realizar o “Encontro dos Povos Indígenas das Regionais Purus e Alto Acre”, no Palácio Rio Branco, e, nesta quinta-feira, 29, na Escola de Música. Além disso, outro encontro com lideranças indígenas está sendo organizado para novembro em local ainda a ser definido pela Sema.

O secretário Israel Milani disse que o objetivo do encontro é discutir, com os representantes, propostas para elaboração, revisão e atualização dos planos de gestão territorial e ambiental das terras indígenas. Também estão sendo apresentadas as demais atividades desenvolvidas pela Sema nesses territórios. “Assim, evitaremos a entrada de consultores não indígenas nas terras”, assinalou o secretário.

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