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12 abril, 2021 4:35 pm

Peixes consumidos no AC podem ser a causa da síndrome da urina preta, diz estudo

POR EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

Três iguarias do cardápio do acreano podem ser extremamente nocivas à saúde, é o que dizem estudos preliminares. São os peixes pirapitinga, pacu-manteiga e o famoso tambaqui – de onde saem as costelinhas mais gostosas.

Os aquáticos seriam alguns dos responsáveis por causar a síndrome popularmente conhecida como “doença da urina preta”, também chamada de doença de Haff.

Dois casos da doença foram identificados em fevereiro, em Pernambuco, sendo que um deles evoluiu para óbito. A veterinária Priscyla Andrade, de 31 anos, morreu em um hospital do Recife.

Sua irmã, Flávia Andrade, também foi internada no hospital da capital pernambucana, mas se recuperou e já está em casa. As duas comeram um peixe da espécie arabaiana, conhecido como “olho de boi”, que também faz parte do grupo – além do badejo.

Uma toxina encontrada nos nadadores pode ser a responsável por gerar danos no sistema muscular e em órgãos como rins.

Como é a doença da urina preta?

Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras (como eletrólitos, mioglobinas e proteínas) no sangue.

O nome foi dado em razão da descoberta da doença em um lago chamado Frisches Haff, na região de Koningsberg em 1924. O território, à beira do Mar Báltico, pertencia à Alemanha, mas foi incorporado à Rússia posteriormente, constituindo um enclave entre a Polônia e a Lituânia.

A doença de Haff gera uma rigidez muscular. Além disso, frequentemente ocorre como consequência o aparecimento de uma urina escura em função da insuficiência renal, razão pela qual essa expressão é utilizada para se referir à enfermidade.

Em artigo sobre a doença, médicos do Hospital São Lucas Copacabana explicam que ainda não houve confirmação sobrea natureza da toxina constante nos peixes cuja ingestão provocou a doença. Em alguns livros, ela está associada ao envenenamento por arsênico.

“O motivo que transformaria peixes em alimentos tóxicos não foi totalmente esclarecido. Mas, pesquisadores trabalham com duas hipóteses: má conservação do alimento antes da ingestão humana ou que os animais consumam algum tipo de alga que pode provocar tal reação”, diz um trecho da reportagem do site O Dia.

Procurado pela reportagem do ContilNet, o biólogo e consultor ambiental Rodrigo Gomes explicou que as causas da doença de Haff ainda são obscuras, mas defendeu que o consumidor deve se preocupar com a procedência do pescado por conta de outros problemas à saúde.

“A síndrome é associada à ingestão de pescados e crustáceos. No Brasil, em especial na Região Norte, os peixes representam a fonte de proteína das populações tradicionais (indígenas e ribeirinhos), além disso é um alimento nutricionalmente bem avaliado, fonte de ácidos graxos poli-insaturados e ômega-3. Porém, se deterioram rapidamente e podem transmitir zoonoses parasitárias quando consumidos crus ou insuficientemente cozidos”, destacou.

Rodrigo é consultor ambiental/Foto: Reprodução

“Os peixes e moluscos são hospedeiros naturais de grande variedade de parasitas, fato que é investigado por um ramo específico da Biologia, a Ictioparasitologia (estudo dos parasitas de peixes). Em geral, estes parasitas podem ser eliminados na limpeza e cozimento adequados do alimento. Peixes como tambaqui, pirapitinga entre outros que se alimentam de crustáceos apresentam maiores chances de infecções parasitárias”, continuou.

Na ocasião, Rodrigo também disse que o avanço das pesquisas deve contribuir para um esclarecimento mais detalhado da situação.

Gomes é da Catraia Soluções Ambientais/Foto: Reprodução

“Para além da Síndrome de Haff, o consumidor deve se preocupar com a procedência do pescado por conta de outros problemas a saúde, que o consumo de itens de origem desconhecida ou preparados de forma incorreta, possam causar. Reforçamos o investimento em pesquisas, em fiscalização, em adoções de políticas públicas efetivas que contribuam para o melhoramento da produção do pescado, manutenção dos estoques naturais (pescado capturado em rios e lagos) e a atenção da população ao consumir peixes, moluscos e crustáceos”, finalizou.