“Sim. Serei candidato Ă  PresidĂȘncia da RepĂșblica pelo PSDB”, diz Doria

Por METRÓPOLES 01/04/2022 às 09:11

Governador de SĂŁo Paulo, JoĂŁo Doria (PSDB) anunciou nesta quinta-feira (31/3) que vai disputar a PresidĂȘncia da RepĂșblica. Por isso, transmitiu o cargo ao vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB).

Com a saída de Doria, Garcia assume o governo com a intenção de usar a måquina governamental para impulsionar sua candidatura ao Palåcio dos Bandeirantes.

Na noite da Ășltima quinta (30/3), Doria havia sinalizado que desistiria do pleito federal e que permaneceria como governador, instaurando uma crise entre os tucanos, como antecipou o colunista Igor Gadelha. TambĂ©m como adiantou o colunista, o impasse foi abafado apĂłs o PSDB divulgar uma carta em apoio a Doria.

“Sim. Serei candidato Ă  PresidĂȘncia da RepĂșblica pelo PSDB”, disse Doria.

Na cerimĂŽnia de transferĂȘncia do cargo, Rodrigo Garcia falou em tom amistoso a Doria, disse que hoje o dia Ă© dele e que lhe deseja foco, força e fĂ©.

“Era necessĂĄrio sim uma liderança forte, uma bĂșssola para que aquele caminho de escuridĂŁo que era a pandemia. NinguĂ©m estĂĄ aqui para dizer adeus, mas sim um atĂ© breve, porque o que vocĂȘ fez em SĂŁo Paulo farĂĄ no resto do Brasil. Estamos aqui por vocĂȘ.”

Desistiu, mas voltou atrĂĄs

Estava tudo combinado para Doria passar o bastĂŁo do governo de SĂŁo Paulo para Garcia nesta quinta. Na noite da Ășltima quarta-feira (31/3), no entanto, ele informou seu vice e outras pessoas prĂłximas de que desistiria da disputa ao Planalto, pegando a todos de surpresa.

Muitos secretĂĄrios e aliados de Doria sĂł souberam da desistĂȘncia na manhĂŁ desta quinta. Na sequĂȘncia, houve mobilização de aliados em horas de negociação para tentar convencĂȘ-lo a mudar de ideia.

Os reforços vieram de todos os lados, como dos deputados estaduais – CauĂȘ Macris foi um deles –, federais – Joice Hasselmann Ă© um exemplo – e do presidente nacional do partido, Bruno AraĂșjo.

O pano de fundo da desistĂȘncia Ă© um resquĂ­cio da competição que nĂŁo foi concluĂ­da com o resultado das prĂ©vias tucanas realizadas em novembro do ano passado: uma ala prĂł-Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, trabalha para conseguir substituir o paulista pelo gaĂșcho como candidato federal do PSDB.

Doria vinha se sentindo desprestigiado, segundo pessoas prĂłximas, com essas tentativas, principalmente porque elas foram ganhando força com a falta de um posicionamento contundente de AraĂșjo a seu favor. As especulaçÔes na imprensa sobre a ascensĂŁo do gaĂșcho lhe incomodaram. Ao mesmo tempo, o baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto tambĂ©m o desmotivou a seguir na empreitada.

O paulista entĂŁo anunciou, dentro do governo, que nĂŁo iria mais concorrer Ă  PresidĂȘncia, e que nĂŁo iria mais entregar seu cargo para Garcia – que ficou abalado com a notĂ­cia. Foi necessĂĄria uma corrida contra o tempo dentro do PSDB e do governo para fazer Doria recuar.

AraĂșjo divulgou uma carta respaldando o prĂ©-candidato, auxiliares afirmaram que ele tem chance de crescer nas pesquisas, e lhe prometeram respaldo. TambĂ©m argumentaram que Garcia nĂŁo poderia faltar com o combinado com Garcia e frustrar a expectativa de ele assumir o governo, jĂĄ que ele sempre foi fiel a Doria e que deixou o DEM pelo PSDB a pedido do prĂłprio governador. Horas de reuniĂŁo depois, os apelos surtiram efeito.

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