Jovens indígenas do Acre são recrutados por facções após invasões em aldeias

Por KATIUSCIA MIRANDA, DO CONTILNET 19/09/2022 às 15:08 Atualizado: há 4 anos

Um relato feito por pais de jovens jaminawas que estão presos na penitenciária de Sena Madureira por suspeita de tráfico de drogas, aponta para a constante cooptação de indígenas para trabalhar em facções criminosas no Acre.

Uma reportagem da Folha de São Paulo trata sobre a problemática que atinge as aldeias indígenas acreanas. O povo Jaminawa, que vem num processo constante de lutas internas e também por demarcação do seu território, agora se depara com conflitos de grupos que têm comando no eixo Rio-São Paulo, o Comando Vermelho e o PCC.

O conflito entre facções, segundo os pais que relaram a situação, são constantes e recentemente pelo menos oito indígenas foram presos. Um detalhe que traz a reportagem é que nem na prisão eles não podem dividir as mesmas celas e os familiares precisam se organizar para realizar as visitas em dias distintos.

“Em meio ao avanço das facções nos Ăşltimos cinco anos, os jaminawas estĂŁo jogados Ă  prĂłpria sorte, numa terra indĂ­gena sem demarcação. NĂŁo há reconhecimento da ocupação do territĂłrio, delimitação e acompanhamento consistente ou fiscalização contra invasores por ĂłrgĂŁos como a Funai. Aldeias da Jaminawa do Rio CaetĂ© nĂŁo tĂŞm energia, água potável e escolas —a escola da aldeia principal ruiu. Em espaços improvisados, o ensino sĂł existe atĂ© o quarto ano do ensino fundamental”, diz um trecho da reportagem.

“O abandono ocorre apesar da existĂŞncia de uma decisĂŁo da Justiça Federal que determinou Ă  Funai a conclusĂŁo do relatĂłrio sobre a ocupação territorial feita pelos jaminawas, para fins de demarcação. A decisĂŁo foi proferida em dezembro de 2016. O prazo dado era de seis meses. Nada foi feito”, finaliza.

Os indígenas vivem com medo das facções. Relatam ameaças, casas queimadas e trocas de tiros nos outros territórios onde há jaminawas em Sena Madureira, também sem demarcação —São Paulino e Caiapucá. O medo se estende às casas de palafita nas franjas do município, mantidas pelos indígenas.

Um pai resume assim a realidade do filho preso na cidade, suspeito de envolvimento com uma facção: “Meu filho caçava, pescava, fazia roça na aldeia. Na cidade, fica desamparado. Ele quer voltar para cá.”

CONFIRA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA: Terras indígenas sofrem com invasões e presença de facções

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