28 de maio de 2024

Óvni: luzes estranhas vistas em aldeia no Acre já viraram caso de investigação na PF; relembre

ContilNet já abordou o tema em 2016, quando indígena foi atingido por um raio de luz, após atirar 18 vezes contra objeto voador não-identificado

O último final de semana foi marcado pelo registro em vídeo de avistamentos de novos objetos voadores não-identificados (óvnis), dessa vez, nos céus noturnos das aldeias yawanawás, e também na cidade de Tarauacá (440 quilômetros de Rio Branco). O episódio, no entanto, reacendeu a lembrança de um fenômeno recorrente no Acre: a interação desses estranhos objetos com indígenas de várias etnias na região.

Um dos mais curiosos foi relatado por ContilNet no dia 15 de fevereiro de 2016. Na ocasião, este site noticiou o ataque de um óvni contra um membro da aldeia Kampa do Rio Envira, na região de Feijó (40 quilômetros de Tarauacá). O indígena Iaka Kampa foi atingido por uma descarga elétrica desferida por um suposto disco voador, após ele ter disparado pelo menos 18 tiros de espingarda na direção do objeto.

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“Era uma máquina pequena, que acendia luzes vermelhas, azuis e verdes e que exalava um odor de pneu queimado”, declarou à reportagem na época, o professor indígena Airton Silva de Oliveira. “Ele se deslocava muito rápido, em todas as direções”. Dizia ainda Oliveira que “ninguém está conseguindo dormir nas aldeias. Estamos aterrorizados com aquele negócio estranho, que não é um drone”.

Um estudo do pesquisador ufológico Rony Vernet, que obteve documentos junto à Funai sobre dois casos, chamam a atenção por suas singularidades. No dia 31 de julho de 2014, o líder dos Ashaninka do Rio Amônea, Benki Piyãko, enviou à Funai um comunicado relatando avistamentos de “objetos estranhos, luzes e bolas de fogo” sobre a aldeia. Era uma carta-denúncia da aldeia pedindo ajuda à Funai.

Documento enviado à Funai pediram uma investigação das autoridades federais, já que o clima na aldeia Ashaninka era de insegurança/Foto: Arquivo/Ruy Vernet

A aldeia Ashaninka do Rio Amônea está localizada no município de Marechal Thaumaturgo (a cerca de 560 quilômetros de Rio Branco) já na divisa com o Peru, e Benki Piyãko é uma liderança indígena reconhecida mundialmente. No documento, ele dá detalhes de como foram os avistamentos e pede ajuda das autoridades justificando que a aldeia corre riscos.

“Trata-se de uma esfera de cerca de 4 metros de diâmetro, que dispara feixes de luz, geralmente na cor azul”, descreve. O líder ashaninka, inclusive, afirma que os indígenas até tentaram fotografar e filmar o objeto para enviar à Funai um relatório mais completo. Mas quando o objeto estava próximo do solo os equipamentos não funcionavam. “As imagens fotográficas foram conseguidas apenas quando o objeto estava distante”, explica.

Parte do relato de um indígena para a investigação da Funai/Fonte: Funai

“De todo modo, solicito à Funai que intervenha, junto à Polícia Federal e ao Exército, para tomar uma medida de observação para a identificação do objeto, já que a comunidade encontra-se em estado de insegurança”, pediu Piyãko à época.

Em um deles há também o relato de objetos que desceram do céu e ficaram na altura da copa das árvores atingindo os indígenas com feixes de luz. Uma integrante da aldeia, que estava grávida, teria sofrido aborto espontâneo ao ser atingida pelo disparo.

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Outros três indígenas atingidos “encontravam-se enfermos, apresentando dor de cabeça e desequilíbrio sensorial” após o disparo da luz. Um deles em estado de choque, diz o relatório da Funai.

Ufólogo Ruy Vernet investigou casos de avistamentos e contatos com óvnis no Acre/Foto: Reprodução

Cerca de dez anos atrás, o Ministério da Aeronáutica abriu publicamente os arquivos do Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, o Soani, órgão da Aeronáutica criado com a finalidade de investigar casos de aparições relatadas no país. Os documentos estão disponíveis até hoje no site do Arquivo Nacional, com sede em Brasília. Nas mais de 2.600 páginas de fotos, relatórios, dossiês e depoimentos, o Acre é citado apenas uma única vez.

Funai e governo se mobilizaram, mas investigações não prosseguiram

Além de Benki Ashaninka seu irmão, Francisco Piyãko, então assessor especial do Governo do Acre, também alertou as autoridades sobre o ocorrido.

A mobilização fez com que ele, o secretário de Justiça, o comando do 61º Batalhão de Infantaria e Selva e a Superintendência da Polícia Federal se mobilizassem para obter mais informações sobre os possíveis óvnis.

A carta-denúncia de Benki levou a Funai a protocolar um pedido de investigação que partiu da própria coordenação regional da entidade em Juruá, onde fica a aldeia Ashaninka do Rio Amônea.

A Funai enviou ainda um ofício para a Superintendência da Polícia Federal no Acre resumindo a ocorrência. A oficialização do caso gerou uma grande movimentação em entes governamentais.

A Superintendência da PF foi quem ficou responsável pelas diligências e relatórios. Entretanto, nenhum documento mais detalhado foi liberado, apenas um comunicado informando que teria apurado o caso.

Indígenas da etnia ashaninka do Rio Amônea, de Marechal Thaumaturgo: relatos constantes de aparições de luzes nos céus/Foto: Domínio Público

De acordo com os documentos oficiais, dois agentes da Polícia Federal foram enviados à aldeia. Entretanto, as investigações dos ataques dos ovnis aos indígenas no Acre duraram apenas dois dias.

No relatório apresentado o agente diz que “não foi possível ver nada, somente apurar algumas informações”. Já a Funai diz que não teve acesso ao relatório escrito pela PF nesta missão.

Para o Exército houve ‘conflitos entre aldeias’

Segundo Rony Vernet, o Exército deu pouca atenção ao caso, justificando os fatos como “conflito entre aldeias”. “Se a Polícia Federal entendeu que aquilo tinha importância certamente é porque tinha informação de que não era apenas um conflito entre tribos, Tanto que foram até lá para averiguar o que estava acontecendo”, destacou.

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