Peixes da AmazĂŽnia, empreendimento da Era Petista, vai Ă  falĂȘncia e deixa rombo de R$ 70 mi

Complexo foi inaugurado em 2015 com a presença de Lula e Evo Morales e prometia uma revolução na ĂĄrea de pescado do paĂ­s, com vendas de peixe atĂ© para o exterior; falĂȘncia decretada pela Justiça mostra que pescaria foi a da corrupção

Por TiĂŁo Maia, ContilNet 12/11/2024 Atualizado: hĂĄ 1 ano

Inaugurada em maio de 2015 com pompas ao ponto de reunir no mesmo palco, na BR-364, ninguĂ©m menos que o entĂŁo ex-presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva e o entĂŁo presidente da BolĂ­via, Evo Morales, a Peixe da AmazĂŽnia, um indĂșstria que se propunha a revolucionar a indĂșstria do pescado no paĂ­s, teve um fim melancĂłlico ao ter sua falĂȘncia decretada prela Justiça e deixando um rombo estimado em R$ 70 milhĂ”es para o povo acreano pagar.

A inauguração pomposa ocorreu durante o segundo mandato do entĂŁo governador TiĂŁo Viana, o Ășltimo da chamada Era Petista, que ficou 20 anos no poder estadual, com cinco mandatos de governos consecutivos.

Peixes da AmazĂŽnia, empreendimento da Era Petista, vai Ă  falĂȘncia e deixa rombo de R$ 70 mi

Peixes da AmazÎnia, na BR-364/Foto: Reprodução

Na verdade, a indĂșstria de beneficiamento de peixes, que nunca funcionou, veio se juntar a projetos faraĂŽnicos do conceito de governança baseado na Florestania criado pelos governos petistas e que nĂŁo deram certo, deixando para trĂĄs dĂ­vidas e prejuĂ­zos para o impostos do acreanos pagarem. Assim como a Peixes da AmazĂŽnia, o Governo do Acre amagar prejuĂ­zos com os investimentos da chamada fĂĄbrica de preservativos e de beneficiamento de madeiras em Xapuri, com prejuĂ­zos que, somados, chegariam a casa dos R$ 200 milhĂ”es.

A fĂĄbrica de tacos e a de preservativos a partir do lĂĄtex extraĂ­do dos seringais da regiĂŁo foram montadas durante a gestĂŁo do entĂŁo governador Jorge Viana, em dois mandatos, de 1999 a 2006.

Os prejuĂ­zos causados por seu irmĂŁo, o ex-senador e ex-governador TiĂŁo Viana, Ă© mais recente. A decretação da falĂȘncia da Peixes da AmazĂŽnia ocorreu em 31 de julho deste ano, mas sĂł nesta terça-feira (13), o Tribunal de Justiça deu divulgação Ă  decisĂŁo judicial.

Peixes da AmazĂŽnia, empreendimento da Era Petista, vai Ă  falĂȘncia e deixa rombo de R$ 70 mi

Evo Morales, TiĂŁo Viana e presidente Lula/Foto: Ricardo Stuckert

SĂł de dĂ­vidas trabalhistas dos operĂĄrios que trabalharam no pouco tempo em que a indĂșstria funcionou o prejuĂ­zo dos operĂĄrios Ă© da ordem de R$ 3 milhĂ”es. HĂĄ tambĂ©m dĂ­vidas com impostos e fornecedores. Para que as dĂ­vidas sejam quitadas, a Justiça deve decretar o leilĂŁo dos bens e da ĂĄrea onde a indĂșstria foi instalada, na BR-364, em territĂłrio pertencente ao municĂ­pio de Senador Guiomard.

“Vai haver o que judicialmente se chama hasta. O que for resgatado com o leilĂŁo servirĂĄ para pagar, pela ordem, os trabalhadores, os impostos e depois, se sobrar recursos, serĂŁo pagos os fornecedores. Mas Ă© quase certo que muitos fornecedores vĂŁo ficar no prejuĂ­zo. É de se perguntar: para onde foi todo o dinheiro?”, que tinha um administrador judicial com experiĂȘncia na ĂĄrea. As perguntas neste sentido devem ser dirigidas ao ex-governador TiĂŁo e a seu irmĂŁo Jorge Viana, atual diretor da Apex, uma agĂȘncia do governo brasileiro cuja missĂŁo Ă© promover a venda de produtos brasileiros para o exterior. Certamente, a Apex nĂŁo poderĂĄ vender o peixe brasileiro e da AmazĂŽnia para o mundo. Pelo menos aquele que deveria sair do Acre, segundo a propaganda governamental na Ă©poca.

A propaganda foi tanta que foi capaz de trazer ao Acre o entĂŁo presidente boliviano Evo Morales, que agora patrocina a maior crise polĂ­tica em seu paĂ­s com a tentativa de voltar ao poder. Embora a BolĂ­via tenha inĂșmeros lagos e rios piscosos na regiĂŁo da AmazĂŽnia boliviana, no Acre Morales disse que veio conhecer a Peixes da AmazĂŽnia para copiar o projeto e leva-lo a seu pais.

Durante o encontro com Morales, Lula, e o entĂŁo prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre e tantas outras autoridades, o entĂŁo governador TiĂŁo Viana anunciou que o Acre, na Ă©poca, jĂĄ produzia atĂ© 23 mil toneladas de peixe por ano, mas, com o complexo funcionando com todo seu potencial Ă  disposição, a meta seria chegar a 100 mil e alcançar atĂ© mesmo o mercado internacional. “Com o aumento da produção, o Acre poderĂĄ gerar uma receita de mais de R$ 1 bilhĂŁo por ano”, frisou o governador, na Ă©poca.

Mas o que parecia algo grandioso, o empreendimento ingressou com processo de recuperação na Justiça, mas descumpriu o plano estabelecido, deixando de pagar credores e atĂ© mesmo os honorĂĄrios do administrador judicial. A imagem da incĂșria governamental com o projeto Ă© visĂ­vel nas instalaçÔes fĂ­sicas do complexo, estĂŁo em estado de “total abandono, conforme registrou a Justiça.

Peixes da AmazĂŽnia, empreendimento da Era Petista, vai Ă  falĂȘncia e deixa rombo de R$ 70 mi

Peixes da AmazÎnia foi inaugurado em maio de 2015/Foto: Reprodução

O juiz de Direito RomĂĄrio Faria, respondendo pelo JuĂ­zo da Vara CĂ­vel da Comarca de Senador Guiomard, decidiu decretar a falĂȘncia da Peixes da AmazĂŽnia apĂłs a comprovação de que a empresa deixou de cumprir o plano de recuperação judicial, nĂŁo tendo arcado com pagamento de credores e atĂ© mesmo do administrador designado pela Justiça.

A sentença, ainda aguardando publicação no Diårio da Justiça eletrÎnico (DJe), considerou, entre outros fatores, as diversas manifestaçÔes de credores juntadas aos autos do processo, informando o não recebimento dos créditos devidos, o atual estado do complexo industrial, bem como a manifestação do administrador judicial acerca da inviabilidade da continuação do plano de recuperação judicial.

Nesse sentido, o magistrado sentenciante assinalou que o complexo industrial da empresa jĂĄ foi furtado por diversas vezes, em razĂŁo do estado de “total abandono das instalaçÔes fĂ­sicas, o que reafirma a ausĂȘncia de qualquer sinal de recuperação da Peixes da AmazĂŽnica S/A”.

O juiz tambĂ©m considerou a manifestação do MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC), salientando que o comportamento da empresa, registrado nos autos do processo, “beira o descaso” para com o procedimento de recuperação judicial formulado e homologado pela Justiça. O magistrado RomĂĄrio Faria determinou tambĂ©m o envio de ofĂ­cio ao Registro PĂșblico de Empresas e Ă  Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para que procedam Ă  anotação da falĂȘncia no registro do devedor, para que contenha a expressĂŁo “falido”, a data de decretação da falĂȘncia e a inabilitação dos falidos para o exercĂ­cio de qualquer atividade empresarial, “atĂ© a sentença que venha a extinguir suas obrigaçÔes”.

Na sentença, o juiz ordenou, ainda, a lacração dos estabelecimentos da empresa falida, como forma de viabilizar a arrecadação dos bens pelo administrador judicial, que terĂĄ o prazo de 60 dias para a apresentação de plano detalhado de realização de ativos, como prevĂȘ a Lei de Recuperação Judicial e Extrajudicial e de FalĂȘncia.

O magistrado fixou o termo legal da falĂȘncia retroativamente, em 90 dias contados a partir do primeiro protesto por falta de pagamento, “o que se deu em 13 de julho de 2022”. Ainda cabe recurso contra a sentença.

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