Com sua demissão dada como certa por aliados do presidente Lula (PT), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez um gesto político neste sábado. Mesmo na berlinda, Nísia compareceu ao ato de aniversário de 45 anos do PT, partido do qual não é filiada. A comemoração ocorre na Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Nísia Trindade acena do palco em evento de comemoração do aniversário do PT — Foto: Luís Marzullo/Agência O GLOBO
Nos bastidores, articuladores do presidente dão como certa a saída de Nísia, que desde o início do mandato foi alvo de frituras. Por ser uma pasta estratégica, o ministério sempre foi alvo de desejo dos partidos, enquanto a ministra sempre representou uma indicação técnica e não política.
Este é o segundo dia consecutivo de Nísia próxima ao PT. Nesta sexta-feira, ela participou de agenda em Maringá (PR) ao lado do deputado federal Zeca Dirceu. Na ocasião, em entrevista à afiliada da rádio CBN, ela negou sua saída.
Quem deve substituí-la é o atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), também presente no ato desde sábado. A reforma ministerial pode fazer com que o PT some mais um cargo de poder, uma vez que o partido deve continuar com o comando das Relações Institucionais.
O que explica esta possibilidade é um desinteresse do centrão. O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), chegou a ser cotado para o cargo, mas as negociações não vingaram, diante da queda de popularidade do governo. Um dos nomes que desponta para substituir Padilha é o do atual líder de governo na Câmara, José Guimarães.
Além de Padilha, outra petista que deve ser alçada é a presidente nacional Gleisi Hoffmann. Gleisi deve ocupar a pasta da Secretaria-Geral, hoje ocupada por outro petista, Márcio Macedo.
Com essa dança das cadeiras, Macedo pode concorrer a tesoureiro, cargo ocupado por Gleide Andrade. O cenário, contudo, não é simples: Gleide quer a reeleição e tem força no partido, sendo uma das principais responsáveis pela nomeação de Macaé Evaristo no Ministério da Igualdade Racial.
