Chuvas instáveis e La Niña influenciam em oscilações do Rio Acre nos últimos dias, diz Defesa Civil

O coordenador diz que o Rio Acre deve continuar em oscilações ao longo das próximas semanas

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A variação recente nas chuvas e no nível do Rio Acre tem chamado a atenção da Defesa Civil de Rio Branco, que acompanha diariamente o comportamento do clima e dos rios na capital. Em entrevista ao ContilNet, o coordenador do órgão, coronel Cláudio Falcão, explicou que o cenário atual é marcado por irregularidade nas precipitações e por influências externas, rincipalmente de chuvas intensas registradas no Peru e na Bolívia.

Segundo Falcão, o mês de outubro apresentou um comportamento atípico, ultrapassando a média de chuva estabelecida para o período.

Essa oscilação, afirma ele, tem relação direta com o fenômeno La Niña, que tende a aumentar as precipitações na região amazônica | Foto: Pedro Devani

“Durante o mês de outubro, nós tivemos 16 dias com chuva. Foi metade do mês chovendo. Tivemos 36% a mais de água do que o esperado para o período. Já novembro caminha na direção oposta. Até o dia 13, só tinha chovido 5% do esperado para todo o mês. Ou seja, quase fechamos uma quinzena com praticamente nada de chuva”, destacou.

Essa oscilação, afirma ele, tem relação direta com o fenômeno La Niña, que tende a aumentar as precipitações na região amazônica. Por isso, apesar do início seco, há expectativa de que o mês ainda possa fechar dentro ou até acima da média. Para os próximos dias, o coronel aponta que o padrão deve continuar.  “A tendência é que novembro siga com chuvas alternadas, aqui e ali,” disse.

Coronel Cláudio Falcão/Foto: Marcos Araújo/Assecom

Segundo Falcão, o aumento registrado no dia 14 de novembro não foi causado por precipitações em Rio Branco, e nem no estado, na maior parte dos casos.  “Esse aumento não tem relação com as chuvas do município e, na realidade, nem com as chuvas do estado. O grande volume veio do Peru e da Bolívia”, explicou Falcão.

Essa água percorreu todo o curso até Rio Branco, recebendo ainda mais volume dentro do território brasileiro devido às chuvas registradas entre domingo e quinta-feira. Falcão lembra que a previsão inicial apontava que o nível subiria para cerca de dois metros, mas o acúmulo adicional alterou o cálculo. “A tendência era voltar para os dois metros, mas houve novas chuvas em Brasileia e, especialmente, em Xapuri, onde o rio subiu 2,5 metros.”

O coordenador diz que o Rio Acre deve continuar em oscilações ao longo das próximas semanas. “Ele pode descer para 3,5 m ou 3,4 m e, antes de chegar aos 3 m, voltar a subir para 4 m. Essa variação vai seguir.” Mesmo com essas mudanças constantes, Falcão pontua que, olhando para um período maior, o comportamento ainda está dentro do esperado. “Se analisarmos os últimos 10 anos, o nível do Rio Acre segue abaixo da média. Já se considerarmos só os últimos cinco anos, aí sim estamos na média.”

 

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