O Partido dos Trabalhadores (PT) está entre as legendas que decidiram abrir mão de disputar o governo estadual com candidatura própria nas eleições de 2026. A estratégia, adotada nacionalmente, coloca o Acre entre os 14 estados em que a sigla preferiu apoiar um aliado considerado mais competitivo na corrida ao Palácio Rio Branco.
Levantamento divulgado pelo g1 mostra que o partido deixou de encabeçar a disputa nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. A decisão faz parte de um movimento para fortalecer alianças regionais e ampliar as chances do campo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições estaduais.
No Acre, o PT integra a chapa encabeçada por Thor Dantas (PSB), que reúne ainda PCdoB, PV e Podemos. Diferentemente de outros estados, a legenda sequer indicou o candidato a vice-governador, concentrando seu principal espaço na candidatura do ex-governador Jorge Viana (PT) ao Senado.
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A aposta da federação ocorre em um momento de crescimento de Thor Dantas nas pesquisas eleitorais. Na mais recente sondagem do instituto Real Time Big Data, divulgada na última semana, o candidato do PSB passou de 5% para 7% das intenções de voto, registrando avanço em relação ao levantamento anterior.
Enquanto abre mão da cabeça de chapa em 14 estados, o PT terá candidatos próprios ao governo na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo. Em Roraima, o cenário segue indefinido, com a convenção estadual marcada para o dia 4 de agosto.
A estratégia reforça a prioridade do partido em consolidar alianças nos estados em que avalia ter maior potencial de vitória ao lado de outras siglas, mesmo abrindo espaço na disputa pelos governos estaduais. No Acre, esse movimento se traduz no apoio à candidatura de Thor Dantas, enquanto o PT concentra seus esforços para tentar reconduzir Jorge Viana ao Senado Federal.
Espaço para Jorge
Ao abrir mão da candidatura ao governo, o PT não ficou sem espaço na eleição. Pelo contrário. A legenda concentrou sua principal aposta em Jorge Viana, que disputa uma das duas vagas ao Senado. A estratégia deixa claro onde o partido pretende colocar sua força eleitoral no Acre: menos na disputa pelo Palácio Rio Branco e mais na tentativa de voltar a ter um senador eleito pelo estado.
Sem a vice
Há um detalhe que chama atenção na composição acreana: o PT não indicou sequer o candidato a vice de Thor Dantas. Em outros estados em que a legenda também abriu mão da cabeça de chapa, houve espaço maior na composição das alianças. No Acre, a escolha foi outra. O partido abriu mão do governo e também da vice, preservando para si a candidatura de Jorge Viana ao Senado.
Thor agradece
Para Thor Dantas, a decisão do PT vale mais do que uma declaração formal de apoio. A presença do partido na aliança significa tempo de propaganda eleitoral e uma estrutura política que dificilmente estaria disponível para uma candidatura do mesmo tamanho sem a participação petista. É justamente por isso que o crescimento de 5% para 7% na pesquisa Real Time Big Data ganha importância dentro da estratégia da aliança.
A aposta é nacional
O Acre não é uma exceção. O PT desistiu de encabeçar chapas em 14 estados, numa estratégia nacional de priorizar alianças em vez de lançar candidatos próprios a qualquer custo. A leitura é pragmática: em alguns lugares, é mais interessante apoiar um aliado competitivo e garantir espaço em outras disputas do que insistir em uma candidatura própria com poucas chances de vitória.
A conta de 2026
A pergunta agora é se o cálculo feito pelo PT no Acre vai funcionar. Se Thor crescer e chegar competitivo à reta final, a decisão de abrir mão da cabeça de chapa poderá ser apresentada como um acerto. Se o candidato não avançar, a pressão sobre a estratégia aumenta — especialmente porque o partido terá colocado todo o seu peso eleitoral na candidatura de Jorge Viana ao Senado.
O desafio de Jorge
Jorge Viana também terá uma tarefa nada simples. Ao concentrar no Senado a principal candidatura do PT no estado, o partido passa a depender de uma campanha capaz de mobilizar sua base sem a presença de um candidato petista ao governo. Na prática, Jorge terá de transformar a aliança construída em torno de Thor em votos para sua própria candidatura.
Uma troca política
No fim, a operação é clara: o PT abre mão do Palácio Rio Branco para tentar ganhar força em duas frentes. De um lado, ajuda a tornar Thor Dantas mais competitivo. De outro, preserva Jorge Viana como seu principal nome na disputa majoritária. O resultado dessa troca só ficará claro quando o eleitor fizer sua escolha — mas a estratégia já mostra que, em 2026, o PT decidiu jogar menos pela marca da candidatura própria e mais pelo tamanho do resultado.
