Rio Branco, Acre,


Aposentada de 71 anos se emociona perto de concluir ensino médio e curso de informática

“Venho a pé, todos os dias, há quatro meses. São 10 quilômetros, vinda e volta, para o melhor momento do meu dia", diz dona Rosa Martins de Castro

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Dona Rosa Martins de Castro, ex-professora de datilografia

Numa sala bem refrigerada, uma turma com 20 alunos. No meio da maioria de jovens uma aluna chama atenção pelo exemplo incomum. Aos 71 anos, a aposentada Rosa Martins de Castro ensina uma lição à parte. “Venho a pé, todos os dias, há quatro meses. São 10 quilômetros, vinda e volta, para o melhor momento do meu dia. Aprender informática é a única coisa que me deixa feliz. Vou concluir meu curso se Deus quiser”.

Na primeira semana de setembro, dona Rosa Martins de Castro terá dominado todo o conhecimento dos pacotes básicos de computação, incluindo digitação, Word, Windows e Excel.

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Natural de Cuiabá (MT), a aposentada chegou ao Acre em 1975. De Rio Branco jamais saiu. Tem um filho e uma neta e mora sozinha no bairro Santa Inês, de onde se desloca até o centro da cidade para estudar.

Dona Rosa lembra, meio chorosa, a abnegada função de professora de datilografia, graças a um curso ofertado pela extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA), numa época sem qualquer prenúncio de que a tecnologia avançaria tanto.

“Formei muitos alunos. Agora quero aprender todo o básico sobre computadores, junto com minha formação no ensino médio. Sou aluna do EJA [Ensino para Jovens e Adultos]. Não posso?”, indaga, sorridente. “Desde que tenha interesse, é importante. Não importa a idade”, acrescenta.

Uma olhadela disfarçada na tela do computador, se vê a lição primária daquela velha técnica de digitar sem olhar para o teclado com certa velocidade, usando todos os dedos da mão, desde o mindinho até o polegar: “asdfg”.

Ao lado, o colega Francisco Ribamar, também aluno, é o escape de dona Rosa. “Quando não quero incomodar o professor, peço ajuda ao meu amigo aqui”, conta ela. “É bonito de ver. Sinto prazer em ajudá-la”, afirma o rapaz.

O instrutor Osmir da Silva já teve um aluno com 87 anos, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. “Não há idade, sexo ou gênero para a internet. O exemplo da dona Rosa contagia a gente. Ela estuda e se exercita, porque, por opção própria, vem e volta caminhando”,  conclui o professor.

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