Porta-voz diz que Tião sempre defendeu Sistema Único de Segurança; mas Jorge votou contra no Senado


Essa e outras contradições do PT, que no Acre se alia a partidos que em Brasília trataram de escorraçar Dilma do Palácio do Planalto

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DA CONTILNET

Bola murcha

Que o PT perdeu o rumo, todos já sabemos. São tantos os desencontros entre os companheiros que há muito, muito tempo eles não dão uma bola dentro. Quando muito, chutam a pelota na trave.

Lembrete

Nesta segunda-feira (11), o porta-voz do governo, jornalista Leonildo Rosas – por quem este colunista tem enorme apreço – publicou nas redes sociais o seguinte: “Temer sancionou a lei que cria o Sistema Único de Segurança Pública. Só pra lembrar: a criação do SUSP é defendida há muito tempo por @tião_viana”.

Em boa conta

Não reputo o meu colega Leonildo Rosas um sujeito de má-fé, muito pelo contrário. Acredito no que ele afirma em relação à defesa feita pelo governador Tião Viana de um programa nos padrões do Susp.

Na contramão

O PLC (Projeto de Lei Complementar) 19/2018 teve que passar pelo crivo do Senado Federal, em votação em plenário ocorrida no dia 16 de maio deste ano. E foi aprovado pela maioria de suas excelências.

Do contra

Ocorre, porém, que o senador petista Jorge Viana, irmão do governador do Acre, tratou de votar contra a criação do Sistema Único de Segurança Pública – não obstante a consulta pública feita pelo portal do Senado apontar que 1.943 eram a favor da iniciativa, contra apenas 436 internautas que a achavam impertinente.

Dúvidas, dúvidas…

Ora, se o projeto era defendido há tempos por Tião Viana, por que Jorge haveria de votar contra ele? Por birra? Por desconhecimento? Por ser contra toda e qualquer iniciativa do governo federal em favor da segurança pública? Ou por que ele e o irmão não têm se falado muito ultimamente?

Comprovação

Segue aí abaixo o recorte que fiz do voto do senador eleito pelo PT do Acre contra a criação a proposta de criação da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), de iniciativa do governo Temer, e da qual se originou o Susp.

E pra que não me venham falar em montagem – habilidade, aliás, que falta a este colunista no manejo das ferramentas necessárias para esse tipo de coisa – segue aqui o link onde o leitor incrédulo poderá conferir o voto contrário de Jorge Viana à proposta.

Coisa estranha

Pra encerrar o assunto, soa no mínimo estranho que Tião Viana tenha sido um ardoroso defensor da criação do Sistema Único de Segurança Pública, enquanto o irmão – junto com demais membros da bancada do PT – tenham votado contra o PLC que a ele deu origem. Mas quando se trata do PT, nada mais consegue nos surpreender, não é verdade?

Vale-tudo

Outra contradição dos companheiros pode ser constatada no fato de o PT manter, no Acre, aliança com partidos que, no plano federal, trataram de apear a presidenta Dilma Rousseff do trono. Senão, vejamos.

Balaio

São 14 as siglas que no estado compõem a coligação da Frente Popular, que tem por pré-candidatos a governador o petista Marcus Alexandre, a vice o pedetista Emylson Farias e a senador os também petistas Jorge Viana e Ney Amorim.

Unanimidades

Dos 13 partidos aliados do PT, o Partido Verde (PV) e Partido Republicano Brasileiro (PRB) foram os dois que fecharam questão em favor do impeachment na Câmara Federal: do primeiro, seus 6 deputados votaram pela saída de Dilma do cargo; e do segundo, todos os 22 parlamentares cravaram no sim.

A verdade em números

Os demais, à exceção do PCdoB e PSOL, se dividiram: o PSB contabilizou 29 votos a favor e apenas 2 contra (um dos quais o do deputado César Messias); o PHS cravou 6  votos sim e apenas 1 não; o Pros, 4 a favor e 2  contrários; o Podemos (antigo PTN), 8 favoráveis ao afastamento e 4 contra; e até mesmo o PDT do pré-candidato a vice-governador de Marcus Alexandre, tratou de se dividir, ainda que na proporção inversa ao do anteriormente citados: enquanto 12 pedetistas queriam que Dilma ficasse, outros 6 votaram para que ela saísse.

Golpistas só os outros?

Bem, dito isso, há que se perguntar por que, afinal de contas, os ‘golpistas’ são apenas aqueles que subiram ao poder em Brasília, enquanto aqui continuam sendo os velhos aliados de chapa?

Em baixa

A propósito, o vermelho foi abolido de vez pelos companheiros do Acre, conforme relatou ao colunista um colega que compareceu ao evento de ontem (11), promovido pela Frente Popular do Acre no Afa Jardim.

A cor do pecado

Fora os balões vermelhos na entrada, misturados aos de cor branca, ninguém vestiu a camisa que marcou as campanhas de Lula, Dilma, Jorge, Binho, Tião e até do ex-prefeito Marcus Alexandre em início de carreira.

Escondendo o jogo

A razão é óbvia, não é mesmo? Desvencilhar-se da cor vermelha minimiza a repulsa do eleitorado à ladroagem e aos danos colaterais de que o PT virou símbolo em sua passagem pelo Palácio Planalto. Resta saber se o eleitor é tão trouxa quanto pensam os companheiros.

Em boca fechada não entra mosca

Depois do fiasco da senadora Kátia abreu (PDT), em sua tentativa de se eleger governadora do Tocantins nas eleições suplementares, pode até acontecer da turma do lulismo começar, daqui por diante, a falar menos de Luiz Inácio.

Questão de vida ou morte

Aliás, há tempos que o ex-prefeito Marcus Alexandre não fala no nome de Tião Viana. No fundo, é tudo uma questão de sobrevivência política…

comentários

Outras Notícias