Rio Branco, Acre,


Coronel indicado para Anvisa curtiu publicações em redes sociais contra OMS e CoronaVac

Jorge Luiz Kormann apoiou mensagem que chamou Doria de 'China Boy', em referência a vacina em desenvolvimento

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o coronel da reserva Jorge Luiz Kormann já apoiou publicações em redes sociais críticas à Organização Mundial de Saúde (OMS) e à CoronaVac, vacina em desenvolvimento contra a covid-19.

Em sua conta no Twitter, Kormann curte com frequência mensagens de apoiadores de Bolsonaro, como o ideólogo Olavo de Carvalho, o ex-ministro Abraham Weintraub e o blogueiro Allan dos Santos.

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Várias das publicações curtidas têm críticas à OMS. Em agosto, ele curtiu um texto em que o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirma que a organização “se desqualificou ao ponto de poder ser extinta e ninguém notar” e que “levou consigo a credibilidade das agências nacionais, estaduais ou municipais”. Em junho, curtiu postagem em que o jornalista Luis Lacombe chama a OMS de “Desorganização Mundial da Saúde”.

Kormann também curtiu publicações em que o jornalista Guilherme Fiuza fala em “charlatões da OMS” e ironiza quem “acredita na parceria saudável da OMS com a ditadura chinesa”. Outras publicações de Fiuza curtidas criticam a estratégia de adotar o “lockdown” para diminuir o contágio do coronavírus.

Na semana passada, Kormann curtiu uma mensagem em que o empresário Leandro Ruschel afirma que o governador de São Paulo, João Doria, é um “China boy”. O Instituto Butantan, que desenvolve a CoronaVac em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é vinculado ao governo de São Paulo.

Atualmente, Kormann é secretário-executivo adjunto no Ministério da Saúde. De acordo com a TV Globo, em junho ele compartilhou para um grupo de servidores do ministério um vídeo em que o empresário bolsonarista Luciano Hang colocou em dúvida as informações do próprio Ministério da Saúde sobre as mortes provocadas pelo coronavírus.

Na quinta-feira, o GLOBO mostrou que a indicação não foi bem recebida internamente e pegou servidores e até diretores de surpresa. A avaliação de servidores é que Kormann não conhece os trâmites da Anvisa e não entende sobre os procedimentos regulatórios. Há receio ainda de que o indicado do presidente traga visões conservadoras para dentro da agência.

Defesa de Bolsonaro

Apesar de continuar curtindo mensagem, a última publicação de Kormann foi em 2018. Quatro postagens do militar estão disponíveis: em duas ele defende Bolsonaro da denúncia de racismo, apresentada pela então procuradora-geral da República Raquel Dodge, e nas outras duas ele interage com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Sobre a denúncia apresentada por Dodge em abril de 2018, Kormann escreveu “ridícula infame”. Em outra publicação, disse que “seria forçar muito já q se trata de um comentário jocoso”. [Capa: Sérgio Camargo/Agência Brasil]

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