28 C
Rio Branco
12 abril, 2021 1:57 pm

Quando a dor só passa depois de dois anos

POR MOISÉS DINIZ*

A presidência de um parlamento, se quiser, pára uma cidade ou um país e também não dá pra consertar antes de dois anos. Um presidente de parlamento pode trancar um projeto de lei que garanta o auxílio emergencial ou um bolsa família. Um presidente pode não botar em votação um projeto que garanta a mobilidade urbana e deixar milhares de pessoas sem transporte coletivo em plena pandemia ou até remédios e equipamentos pra combater um vírus mortal. E seres humanos morrerem.

É por isso que, no mundo todo, desde os gregos, o parlamento tem situação e oposição, mas, à presidência é construída pra garantir a governabilidade, porque a história tem exemplos fortes de parlamentos que foram responsáveis por sofrimentos inimagináveis do povo, falta de alimentos e remédios, fuga em massa da população e até guerra civil. Ou, em situações locais, tudo se transforma em brigas eternas, confusão, carne fresca pra mídia e a população sofrendo no meio do tiroteio político.

A presidência do parlamento pode ser uma arma na cabeça do povo e, depois, ser tarde demais para chorar os erros e consertar os prejuízos.

Aprendi que é bom escrever pra guardar. Os tempos estão ficando difíceis e cada vez mais a população vai percebendo quem olha mais pra ela ou mais para o interesse partidário, pra luta pelo poder, em detrimento da luta pela vida da comunidade.

Do Congresso Nacional à Câmara de Vereadores de Santa Roda do Purus, o povo tá olhando o movimento de quem foi eleito e percebendo que eles podem ser amigos do coração ou anjos da noite, para quem precisa de comida, de escola, de hospital, de abrigo.

Por exemplo, é legítima a luta da oposição (incluindo a esquerda) pra eleger Baleia Rossi (MDB), mas, quando ela esteve no poder, não permitiu um milímetro que opositores dirigissem o Congresso Nacional.
E depois que matam a onça, todo mundo quer tirar uma foto ou dizer que a onça era inofensiva.
Que Deus abençoe os eleitos de Rio Branco!

Moisés Diniz é articulador político do governador Gladson Cameli