Brasil tem risco de apagÔes em horårios de pico, diz ex-diretor da Aneel

Por UOL 08/09/2021 Ă s 18:22

O ex-diretor da Aneel (AgĂȘncia Nacional de Energia ElĂ©trica) e da ANA (AgĂȘncia Nacional de Águas) Jerson Kelman disse que o Brasil pode sofrer apagĂ”es nos horĂĄrios de pico de uso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o especialista disse acreditar que o paĂ­s vai “passar raspando” sem racionamento de energia elĂ©trica neste ano.

“Temos duas agendas em 2021. No curto prazo, Ă© gerenciar a oferta e demanda para passarmos raspando sem racionamento. Os reservatĂłrios estarĂŁo muito baixos, ninguĂ©m vai dormir tranquilo atĂ© novembro. É uma situação preocupante. Estamos correndo mais risco. Suponhamos que chova em novembro e dezembro, aĂ­ podemos começar a pensar numa nova reforma do setor”, afirmou.

Kelman foi o lĂ­der da força-tarefa criada pelo entĂŁo presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a crise de racionamento em 2001. Por isso, destacou que, como naquela Ă©poca, “algo estĂĄ errado agora” e destacou que nem todos os problemas foram corrigidos.

Entre os pontos principais, segundo ele, estĂĄ a visĂŁo superestimada da garantia fĂ­sica das usinas. Isso porque, no entendimento do paĂ­s, o sistema seria capaz de atender uma demanda “maior do que de fato conseguiria”.

“Ou seja, nĂŁo basta ter usinar tĂ©rmica, tem de ter gĂĄs. Hoje temos o mesmo problema. HĂĄ duas tĂ©rmicas no CearĂĄ (Termofortaleza e TermocearĂĄ) que nĂŁo tĂȘm gĂĄs para operar. Elas usam GNL em um navio da Petrobras. Mas a estatal tirou o navio de lĂĄ e levou para a Bahia. A manutenção de MexilhĂŁo tambĂ©m colocou as plataformas da Petrobras fora de combate. É muita coincidĂȘncia. Na hora que mais precisa, alguma coisa acontece e falta gĂĄs. Parece um dĂ©jĂ -vu”, disse.

Na visĂŁo do especialista, a ANA e o ONS (Operador Nacional do Sistema ElĂ©trico) deveriam ter se articulado para trabalhar a flexibilização das restriçÔes operativas das hidrelĂ©tricas, o que sĂł aconteceu a partir da criação da Creg (CĂąmara de Regras Excepcionais para GestĂŁo HidroenergĂ©tica) – o que aconteceu em junho de 2021.

“Foi preciso criar a Creg para tomar as medidas. A usina de Porto Primavera, Ășltima hidrelĂ©trica antes de Itaipu, tinha uma restrição imposta pelo Ibama de alta vazĂŁo para preservar os peixes. Essa restrição esvaziava nĂŁo sĂł Porto Primavera como tambĂ©m as usinas da bacia do Rio ParanĂĄ. A Creg retirou essa restrição e a Cesp conseguiu deslocar uma equipe para capturar os peixes”, exemplificou na entrevista ao EstadĂŁo.

Por fim, Kelman defendeu a “retomada das avaliaçÔes sobre a possibilidade de construção de usinas hidrelĂ©tricas, de preferĂȘncia com reservatĂłrios”. Isso porque, na opiniĂŁo dele, o paĂ­s desistiu de construir hidrelĂ©tricas “cedo demais” e “sem examinar quais os casos favorĂĄveis”.

“O Brasil sempre foi lĂ­der no tema hidreletricidade e penso que abandonamos essa riqueza natural precipitadamente”, finalizou.

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