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21 setembro 2021 1:35 pm

Onça monitorada é vista 8 meses depois de ser resgatada do maior incêndio do Pantanal

Conhecida como Joujou, onça-pintada foi solta em janeiro deste ano após ser tratada e reabilitada no Cras de Campo Grande (MS), onde passou por tratamento por cerca de dois meses

POR G1 MS

Última atualização em 01/09/2021 16:29

Uma onça-pintada resgata do maior incêndio da história do Pantanal, foi vista nesta terça-feira (31), depois de 8 meses sendo monitorada na região da Serra do Amolar, em Corumbá, a 427 km de Campo Grande. Flagrado por três pesquisadoras, o felino foi devolvido para a natureza em janeiro deste ano depois de ser salvo do fogo que destruiu mais 4 milhões de hectares do bioma, em novembro de 2020. (Assista o vídeo AQUI).

Segundo a ecóloga e gestora de áreas do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Vanessa Morais, o animal, que se trata de um macho, estava tranquilo e foi visto próximo à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, na Serra do Amolar.

Ficamos entre sete e dez minutos acompanhando ele de longe. Ele andou na beira do barranco, continuou se movimentando, até perdermos ele de vista. Foi bem lindo”, relata.
Conforme o coordenador do programa Felinos Pantaneiro, o médico veterinário Diego Viana, relembra as outras vezes que conseguiu avistar a onça, que carinhosamente é conhecida como Joujou.

“Conseguimos avistar o animal poucas vezes. Acompanhamos o deslocamento dele diariamente pelos dados enviados pelo colar GPS e semanalmente analisamos essas informações importantes sobre a readaptação. A cada dia que passa conhecemos mais um pouco como o Joujou vive na Serra do Amolar e registros como os de hoje confirmam que estamos no caminho certo”, reforça.

No momento do flagrante, feito de um barco, estavam presentes também a bióloga e doutoranda em Ecologia, Nathalie Foerter e a médica veterinária e doutora em Ecologia, Grazielle Soresini. Ambas do projeto Ariranhas.

Programa de monitoramento

Diariamente a equipe do programa Felinos Pantaneiros monitora os dados de movimentação da onça-pintada macho Joujou que são emitidos pelo colar GPS, além de semanalmente feito análise com a parceria do do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio). Assim é levantado as informações do tamanho da área de vida, deslocamentos diários e até mesmo o comportamento, como exemplo, que o animal prefere descansar na sombra das árvores entre as 10h e 14 horas.

A onça Joujou após ser resgatada dos incêndios, foi tratada e reabilitada no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mato Grosso do Sul (Cras), em Campo Grande, onde passou por tratamento por cerca de dois meses. Como estava em condições de voltar a natureza, foi realizada a soltura em 23 de janeiro de 2021, em uma operação que contou com apoio do IHP, Onçafari, Gretap, Imasul, ICMBio, CRMV/MS e Força Aérea Nacional.

O programa Felinos Pantaneiros, na Serra do Amolar, integra as atividades do IHP, o qual é responsável por monitorar desde 2016 aspectos ecológicos das onças-pintadas e pardas na região.

Tanto a onça-pintada, como a onça-parda, são animais da lista vermelha de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. Já a Serra do Amolar, foi classificada como área prioritária para a conservação da onça-pintada e faz parte da Jaguar Conservation Unit (JCU) 18, representando como habitat propício para a espécie.

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