Prestes a estrear no remake de Pantanal como o chalaneiro EugĂȘnio, Almir Sater é apaixonado pelo bioma brasileiro desde a infĂąncia. A relação ficou ainda mais forte quando ele teve uma mĂșsica, PeĂŁo Boiadeiro, gravada SĂ©rgio Reis para a trilha sonora da primeira versĂŁo, e acabou sendo convidado para integrar do elenco.
âUm amigo do meu pai tinha fazenda lĂĄ [no Pantanal], eu fui passar umas fĂ©rias e me apaixonei. Sempre que falava de fĂ©rias, eu ficava na porta da casa desse meu vizinho para falar que eu queria ir com ele para o Pantanal. Prometi para mim mesmo que assim que eu pudesse, um dia iria morar nesse lugar. E sonho Ă© tudo na vidaâ, iniciou.
âQuando aconteceu a primeira novela Pantanal, eu fiz uma mĂșsica para o Sergio Reis gravar, ele elogiou muito meu toque de viola, disse que eu tinha que levar minha mĂșsica nas rĂĄdios para eles tocarem, levar meus discos para um programador. AĂ ele me falou que tinha um projeto chamado Amor Pantaneiro, que eles iam gravar umas mĂșsicas para essa obra. Eu nem tinha intimidade com ele nessa Ă©poca, mas falei: jĂĄ que vocĂȘ quer que eu faça sucesso, me chama pra fazer essa novela junto com vocĂȘ. Ficamos rindo, ele acabou gravando minha mĂșsica, nem fazia muito o estilo dele, mas senti que houve uma empatiaâ, completou.
Um tempo depois, Almir foi contatado pelo sertanejo, questionando se ele gostaria de participar da novela. âAĂ eu perguntei se ele ia gravar no Rio de Janeiro, ele disse que nĂŁo, que gravaria no Pantanal mesmo. AĂ eu falei: a gente vai passar um ano no Pantanal e ainda receber por isso? Topo! â
Inicialmente, Almir se apresentaria na TV como ele mesmo, o que mudou apĂłs uma conversa com o diretor Jayme Monjardim. âEle me perguntou se eu queria trabalhar na novela e eu disse que sim. AĂ ele disse, entĂŁo espera aĂ, vamos falar com o Benedito Ruy Barbosa. Ele perguntou se eu tinha alguma ideia, eu disse que eu era violeiro e que poderĂamos trabalhar no folclore da viola. Ruy falou que gostou e ia começar a escrever. Ele realmente escreveu muito bem meu personagem, eu pude tocar, e meu personagem cresceu muito, tanto que o Jayme me convidou para ser o protagonista de uma outra novela dele depoisâ, disse.
Foi um marco na carreira do cantor. âTodo artista quer que sua arte se divulgue. Quando eu entrei na novela, ela jĂĄ era sucesso. Comecei a tocar, e de cara o Sergio Reis falou que eu podia levantar o queixo, colocar preço no show, porque estava fazendo sucesso. Comecei a trabalhar muito, como nunca trabalhei na vida, ganhei meu primeiro dinheirinho e comprei meu primeiro pedacinho de terra no Pantanal.
Quando o convite para a nova versĂŁo chegou, Almir pensou em recusar o papel, mas desistiu de ideia ao ter contato com o personagem.
âEu disse que jĂĄ passou meu tempo, mas chegamos Ă conclusĂŁo de que poderia ser uma participação musical menor. Conversamos eu e Bruno Luperi, autor, e encontramos um papel no qual eu pudesse contribuir. NĂŁo adianta ser um papel que nĂŁo toco. Eu sou mĂșsico. Eu faço um chalaneiro, viĂșvo, cara que vive nesse rio desde que se entende por gente. Ă um papel bonito, tem falas bonitas. Quando comecei a gravar agora me emocionei. Ă um papel muito carinhosoâ.
Almir vai dividir parte de suas cenas com o prĂłprio filho, Gabriel, que viverĂĄ o peĂŁo Trindade, mesmo papel interpretado por Almir 31 anos antes.
âEle jĂĄ tinha feito Meu Pedacinho de ChĂŁo, do Ruy Barbosa; jĂĄ tinha trabalhado com o Irandhir; e outros trabalhos. Quando eu soube que seria o Gabriel quem faria o Trindade, fiquei muito feliz. O Bruno criou uns enfrentamentos do Trindade com o EugĂȘnio, enfrentamentos musicais. Eu falei para o meu filho, nĂŁo vou dar moleza, hein. Meu filho toca bem, toca violĂŁo erudito. HĂĄ uns anos começou a estudar viola. Ă um cara que se dedica muito. Eu espero que seja tĂŁo bom para ele quanto foi para mim, o personagem Trindadeâ.
