28 de maio de 2024

Dia do Parkinsoniano: como é viver com a doença neurológica que ainda não tem cura

No Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, saiba mais sobre o mal que afeta pelo menos 200 mil brasileiros

Aos 72 anos completados no último dia 1º de abril, Nilson Moura Leite Mourão, o mais legítimo dos militantes do PT no Acre, como é conhecido o sociólogo, professor universitário e ex-deputado federal nascido em Tarauacá, anunciou que está acometido com o Mal de Parkinson. Ele tem dificuldade para se locomover, mas é lúcido e de boas memórias sobre os últimos 40 anos vividos na política acreana.

A doença degenerativa, de origem neurológica e que compromete os movimentos do corpo, foi anunciada ao jornalista Tião Maia, do ContilNet, na data do seu nascimento.

Nilson Mourão é sociólogo, professor universitário e ex-deputado federal nascido em Tarauacá/Foto: Reprodução

“Eu caí quatro vezes da cama, mas ainda bem que sem gravidade. Depois, vieram fenômenos [no organismo] que eu via, mas não entendia. Foi quando ao caminhar no Parque da Maternidade com a esposa, ela viu que eu não balançava um dos braços, e aquilo foi me deixando invocado”, narrou Mourão.

O susto veio quando fazendo uma consulta de rotina, a médica cogitou que ele estava com Parkinson. Em Brasília, com um médico especialista, comprovou-se a doença.

Nesta quinta-feira, 11 de abril, foi estabelecido o Dia Nacional do Parkinsoniano, uma data que visa à reflexão sobre o mal que atinge ao menos 1% da população mundial com idade superior a 65 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

No Brasil, assim como Nilson Mourão, a estimativa de pessoas com a doença é de 200 mil. “A gente perde forças, os membros ficam rígidos dos pés à cabeça e você não tem muito o que fazer porque afeta a mobilidade”, diz Mourão, que encontra na esposa a força para conviver com o problema. “A minha mulher é tudo. O carinho da família, graças a Deus, é a minha base, o meu sustentáculo”.

Vida em casa

“Eu tô levando a vida mais em casa, porque o problema afetou minha visão e está tirando a minha leitura”.

Aliás, foi essa limitação que o tirou da política definitivamente. “Para concorrer às eleições, o princípio fundamental é que tem que ter saúde. É colocar uma mochila nas costas e sair atrás do eleitor. Mas isso requer muito trabalho e o meu afastamento se deu por conta disso. Não tenho mais condições físicas de tocar um mandato como deve ser feito”, lamenta.

Para ContilNet, por telefone, a médica Luciana Ribeiro, graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Acre, e hoje registrada no Conselho Regional de Medicina da Bahia, sob o número 29.3023, afirma que a doença é causada pela degeneração das células localizadas numa região do cérebro conhecida por ‘substância negra’.

“Tais células produzem uma substância conhecida por dopamina. A dopamina é responsável por conduzir as correntes nervosas, as quais também chamamos de neurotransmissores, para o corpo”, explica ela. “É a falta ou a diminuição da dopamina que afeta os movimentos do paciente, provocando os sintomas”, completa Ribeiro.

“Aos primeiros sintomas, deve-se procurar o especialista”

Luciana Ribeiro destaca ainda que o Parkinson “não é uma doença fatal, nem contagiosa e não afeta a memória ou a capacidade intelectual do parkinsoniano”.

A doença é causada pela degeneração das células localizadas numa região do cérebro conhecida por ‘substância negra’/Foto: Ilustrativa

“Também não há evidências de que ela seja hereditária e apesar dos avanços científicos, ainda continua incurável. Outro fator que se percebe é que ela é progressiva, sendo variável em cada paciente. E a sua causa ainda continua desconhecida até hoje”, informa.

Mas a médica recomenda que as pessoas procurem um médico neurologista quando ocorrerem os primeiros sintomas da doença. “É preciso que as pessoas tenham em mente que apenas um profissional especializado pode diagnosticar e indicar o tratamento. Por isso, antes de qualquer orientação vista por aí, nos sites de internet, é preciso ir ao médico e conversar com ele sobre o problema”, finaliza Ribeiro.

Por que o nome Parkinson?

A doença de Parkinson é uma enfermidade que foi descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson.

Quem a contrai?

A doença pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sexo, raça, cor ou classe social. A doença de Parkinson tende a afetar pessoas mais idosas. A grande maioria das pessoas tem os primeiros sintomas geralmente a partir dos 50 anos de idade. Mas pode também acontecer nas idades mais jovens, embora os casos sejam mais raros. Um por cento das pessoas com mais de 65 anos têm a doença de Parkinson.

Como saber se tem a doença de Parkinson? Existe algum exame para diagnosticá-la?

O diagnóstico é feito por exclusão. Às vezes os médicos recomendam exames como eletroencefalograma, tomografia computadorizada, ressonância magnética, análise do líquido espinhal, etc., para terem a certeza de que o paciente não possui nenhuma outra doença no cérebro. O diagnóstico da doença faz-se baseado na história clínica do doente e no exame neurológico. Não há nenhum teste específico para fazer o diagnóstico da doença de Parkinson, nem para a sua prevenção. A história usual de quem é acometido consiste num aumento gradual dos tremores, maior lentidão de movimentos, caminhar arrastando os pés, postura inclinada para a frente.

Com que rapidez a doença progride?

A progressão é muito variável e desigual entre os pacientes. Para alguns até parece que a doença está estabilizada, porque a evolução é muito lenta. Na maior parte dos casos, a lentidão causada pela enfermidade altera a qualidade de vida do paciente. É impossível predizer o futuro. A doença de Parkinson não piora rapidamente. Em contraste com outras enfermidades, ela possui um curso vagaroso, regular e sem rápidas ou dramáticas mudanças.

Quais tratamentos existem?

É importante lembrar e compreender que atualmente não existe cura para a doença. Porém, ela pode e deve ser tratada, não apenas combatendo os sintomas, como também retardando o seu progresso. A grande barreira para se curar a doença está na própria genética humana. No cérebro, ao contrário do restante do organismo, as células não se renovam. Por isso, nada há a fazer diante da morte das células produtoras da dopamina na substância negra.

A grande arma da medicina para combater o Parkinson são os remédios e cirurgias, além da fisioterapia e a terapia ocupacional. Todas elas combatem apenas os sintomas. A fonoaudiologia também é muito importante para os que têm problemas com a fala e a voz.

Fonte: Associação Brasil Parkinson

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