27 de maio de 2024

Gilmar Mendes diz que Sergio Moro “revela algumas lacunas de formação”

Ministro do STF diz que sugeriu ao ex-juiz e atual senador mergulhar na biblioteca do Senado para suprir “déficits de informação e formação”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que fez sugestões ao ex-juiz federal Sergio Moro para suprir suas “lacunas de formação” e mergulhar na biblioteca do Senado.

“Aí eu disse assim [para Moro]: ‘O Senado é um bom lugar’. (…) A biblioteca é famosíssima, é excelente. E você revela algumas lacunas de formação, então aproveite a chance que você está tendo no Senado – e obviamente que ele não está lá muito ocupado… Mergulhe-se na biblioteca. É uma chance de suprir esses déficits de informação e formação”, disse, em entrevista ao UOL.

No entendimento do ministro do STF, Moro chegou com o ego muito inflado a Brasília, muito em função do personagem que se criou em torno dele pela opinião pública, e conhecia pouco a capital federal.

“Me lembro que uma vez ouvi do general [Eduardo] Villas Bôas: ‘Ah, a gente deve tudo a esse Sergio Moro’. Acho que havia essas considerações em setores muito importantes”, disse.

Sobre a relação de Moro com os demais congressistas, Mendes considera que o senador experimenta um isolamento, e que isto teria relação com o um “personagem” criado pela mídia.

“Depois, ele passa a se confrontar com essa dura realidade que é viver em Brasília, ter um isolamento no próprio Congresso Nacional, ver ameaçado o seu mandato. (…) Certamente ele achou que era bom ter interlocução até com pessoas que, no passado, tipificava como inimigo ou adversário”, disse Mendes.

Processo

O ex-juiz federal é alvo de ações na Justiça, nas quais é acusado de abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação ao longo da campanha eleitoral de 2022 e caixa dois. Os pedidos são de cassação do mandato e inelegibilidade. São autores das medidas o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL).

O caso foi julgado no Tribunal Regional do Paraná. Nesta instância, ele foi absolvido por cinco votos favoráveis e dois contrários. Ainda cabe recurso e a discussão pode chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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