Advogado do ex-piloto da Fórmula Delta acusado de lesão corporal grave, Eder Fior disse em entrevista ao Metrópoles que Pedro Turra, 19 anos, foi preso por “ser branco e de classe média”.

Pedro Turra, 19 anos/ Foto: Reprodução
O advogado disse que tem clientes acusados de crimes mais graves que respondem em liberdade e os comparou com o caso de Pedro, que ele alega estar sendo perseguido por sua classe social. “Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotado em casos extremos“, argumentou.
A defesa pede imparcialidade por parte da Justiça do Distrito Federal e lisura no processo. “Os fundamentos adotados para prendê-lo são absurdos. Nós discordamos, já entramos com pedido de revogação da prisão, já pedimos agendamento com o juiz que é o juiz natural da causa e, sim, ingressamos com um habeas corpus. Acreditamos que há de se fazer justiça, há de se estabelecer a isonomia e aquilo que o Tribunal da Internet tem feito com o Pedro se possa cessar”, pontuou o advogado.
“Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas, não se apresentar após determinado horário, não se aproximar de testemunhas, de família da vítima, de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é que uma resposta social”, alegou Eder Fior.
“Espetacularização”
O advogado critica a condução do caso pela Polícia Civil do DF (PCDF). Segundo o defensor, a corporação está fazendo uma “espetacularização do caso”.
“Nós realmente sentimos muito em torno dessa espetacularização que está sendo feita. Observe que o juiz que determinou a prisão do Pedro foi enfático ao final da decisão em determinar que a polícia não fizesse espetacularização do caso, não expusesse a imagem do Pedro e se certificasse para que aquilo se desse dentro de um ambiente de proteção. Não foi o que aconteceu. Nós vimos autoridade chorando”, criticou.
A defesa também criticou o fato do delegado da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), Pablo Aguiar, ter chorado na sexta-feira (30/1), durante coletiva de imprensa ao detalhar o caso. “Nós vimos autoridades que não têm qualificação profissional na área médica para chamar o meu cliente de sociopata. Nós vimos uma condenação antecipada com o inflamar da sociedade, da opinião pública. E é só por isso que o meu cliente está preso. E com isso nós não podemos concordar”, concluiu.
