BRB prepara plano para reforçar patrimônio e evitar desgaste após operações bilionárias recentes

Banco deve apresentar proposta ao Banco Central com medidas para fortalecer balanço em até seis meses

O Banco de Brasília (BRB) deve encaminhar ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), um plano de ações voltado ao fortalecimento de seu balanço patrimonial. A proposta prevê a injeção de pelo menos R$ 5 bilhões com o objetivo de reduzir riscos associados aos ativos da instituição e assegurar a manutenção dos indicadores de solidez exigidos pelo sistema financeiro nacional.

BRB prepara plano para reforçar patrimônio e evitar desgaste após operações bilionárias recentes

Sede BRB/ Foto: Reprodução

O valor exato e as medidas detalhadas ainda não foram divulgados oficialmente, mas, caso o plano seja aprovado pelo Banco Central, o BRB terá prazo de até seis meses para executar as ações previstas. Parte das iniciativas pode depender de aval político da Câmara Legislativa do Distrito Federal, já que o governo do DF é o acionista controlador do banco, com 71,92% do capital.

A movimentação ocorre após questionamentos envolvendo aquisições feitas pelo BRB desde o fim de 2024, quando a instituição desembolsou bilhões de reais para comprar carteiras de crédito do Banco Master. Posteriormente, veio à tona que esses mesmos ativos haviam sido adquiridos pelo Master por valores significativamente menores e, em alguns casos, sem pagamento efetivo antes da revenda.

Essas operações levantaram preocupações sobre a fragilidade do balanço do BRB, embora técnicos ouvidos pela imprensa tenham descartado risco imediato de falência ou liquidação. Ainda assim, o reforço de capital é considerado necessário para preservar a confiança do mercado e atender às regras de segurança do sistema bancário brasileiro.

Entre as alternativas estudadas pelo banco estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um possível aporte direto dos controladores. O governador Ibaneis Rocha já sinalizou disposição para utilizar patrimônio público do DF como parte dessas operações.

O contexto também envolve o Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de uma grave crise de liquidez. Investigações apontam que o BRB injetou cerca de R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público apura indícios de gestão fraudulenta relacionados a essas transferências.

Com o plano, o BRB busca estabilizar seu balanço, cumprir exigências regulatórias e evitar impactos negativos à sua credibilidade no mercado financeiro.

PUBLICIDADE