A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais começou a produzir efeitos práticos no bolso dos trabalhadores brasileiros. Em vigor desde janeiro, a mudança elimina a retenção do tributo na fonte para milhões de contribuintes que antes tinham parte do salário descontada todos os meses.

Receita Federal/Foto: Reprodução
Com a nova regra, quem se enquadra nesse limite passa a arcar apenas com os descontos obrigatórios, como a contribuição ao INSS. Na prática, o valor que antes era recolhido pelo governo permanece integralmente com o trabalhador, elevando o salário líquido recebido ao fim do mês.
O impacto varia conforme a renda. Simulações mostram que um trabalhador com salário bruto de R$ 4 mil, por exemplo, deixa de pagar o imposto e passa a receber mais de R$ 100 adicionais mensalmente. Já para quem ganha R$ 5 mil, o ganho chega a R$ 312,89 por mês, segundo cálculos da Confirp Contabilidade, o que representa um acréscimo anual de R$ 4.067,57 ao considerar o 13º salário.
O benefício é mais perceptível nas faixas próximas ao teto de isenção, onde antes a incidência do imposto era maior. Para rendas entre R$ 3.400 e R$ 4.800, o ganho mensal varia de cerca de R$ 27 a R$ 267. Acima de R$ 5 mil, o valor adicional começa a diminuir gradualmente por conta do mecanismo de desconto parcial, conhecido como “escadinha”, até deixar de existir a partir de R$ 7.350.
Do ponto de vista fiscal, o governo sustenta que a medida é neutra. A ampliação da isenção vem acompanhada de ajustes na tributação de rendas mais altas e outros mecanismos de compensação. Além disso, a expectativa é que o aumento da renda disponível estimule o consumo, elevando a arrecadação de tributos sobre bens e serviços.
A mudança beneficia principalmente trabalhadores formais, aposentados e pensionistas que ainda eram tributados nessa faixa de renda. Ao reduzir o peso do imposto sobre salários médios, a nova regra também tem efeito distributivo e pode contribuir para maior dinamismo da economia no curto prazo.
