A guerra militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocou forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira (2). O petróleo disparou no mercado internacional, enquanto o dólar voltou a subir frente ao real, refletindo o aumento das incertezas geopolíticas.
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Por volta do meio-dia, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência global, era negociado próximo de US$ 79 o barril, alta de cerca de 7%. Já o WTI, negociado em Nova York, avançava aproximadamente 6%, superando os US$ 71. Durante o dia, o Brent chegou a ultrapassar os US$ 80, acumulando pico de alta de dois dígitos.
No Brasil, as ações da Petrobras subiam quase 4% na B3, refletindo a valorização da commodity no exterior.
Estreito de Ormuz no centro das atenções
Analistas apontam que a disparada do petróleo está diretamente ligada ao risco envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Localizado ao sul do Irã e conectando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, o estreito é considerado a principal via de escoamento da produção de grandes exportadores como Irã, Arábia Saudita e Iraque.
Relatos de embarcações ancoradas, impossibilitadas de atravessar a região, aumentaram o temor de interrupções prolongadas na oferta.
Especialistas destacam que o principal risco não está necessariamente na produção, mas na logística. Mesmo com a sinalização da OPEP+ de aumento na produção para compensar eventuais perdas, o bloqueio da rota marítima poderia gerar desequilíbrios imediatos no abastecimento global.
Reflexos no Brasil
Apesar de o Brasil ser exportador de petróleo, o país importa parte dos derivados, o que pode encarecer combustíveis e pressionar a inflação caso o conflito se prolongue.
Economistas avaliam que um cenário de petróleo elevado por muito tempo pode forçar repasses de preços ao consumidor, provocando um novo ciclo inflacionário. Isso poderia influenciar decisões do Banco Central do Brasil.
O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou a intenção de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano.
No entanto, o agravamento do conflito pode levar a um corte menor do que o esperado inicialmente pelo mercado.
Dólar em alta
O dólar interrompeu a sequência de quedas das últimas semanas e voltou a subir. Por volta das 12h, a moeda norte-americana era negociada próxima de R$ 5,20, avanço de cerca de 1%.
O movimento é explicado pela chamada “fuga do risco”, quando investidores retiram recursos de mercados emergentes e direcionam para ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar.
Ainda assim, analistas observam que o comportamento da moeda americana tem sido mais volátil diante das incertezas envolvendo a política externa dos Estados Unidos.
A tendência, segundo especialistas, é que o mercado continue sensível às notícias sobre o conflito. Caso haja escalada ou manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo podem permanecer elevados, mantendo pressão sobre câmbio, inflação e juros nas próximas semanas.
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