Canetas emagrecedoras: o que acontece quando a fome volta?

Medicamentos revolucionaram o tratamento da obesidade, mas a manutenção dos resultados depende dos hábitos construídos durante o processo

Por Nutrição em Pauta 16/06/2026 às 15:31
Reprodução

As canetas emagrecedoras estão entre os assuntos mais comentados da atualidade quando o tema é emagrecimento. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida vêm proporcionando perdas de peso expressivas e trazendo esperança para muitas pessoas que convivem com sobrepeso e obesidade.

Mas existe uma pergunta que merece tanta atenção quanto o número na balança:

O que acontece quando a fome volta?

A resposta está diretamente relacionada aos hábitos que foram construídos durante o tratamento.

Embora os medicamentos sejam ferramentas extremamente eficazes, eles não substituem alimentação adequada, atividade física, mudança de comportamento e acompanhamento profissional.

Como as canetas ajudam no emagrecimento

Esses medicamentos atuam em mecanismos relacionados ao controle da fome e da saciedade.

Na prática, muitas pessoas relatam:

  • menos fome ao longo do dia;
  • maior sensação de saciedade;
  • menor interesse por grandes volumes de comida;
  • mais facilidade para manter um déficit calórico.

Esses efeitos ajudam a reduzir a ingestão alimentar e favorecem a perda de peso.

Porém, é importante entender que o medicamento não elimina a necessidade de mudanças no estilo de vida.

O período de uso é uma oportunidade de transformação

Um dos maiores erros é enxergar a caneta apenas como uma forma rápida de emagrecer.

Na realidade, esse período deveria ser utilizado para construir hábitos que possam ser mantidos a longo prazo.

É o momento ideal para:

  • aprender a organizar refeições;
  • melhorar a qualidade da alimentação;
  • aumentar o consumo de proteínas;
  • incluir frutas, verduras e legumes;
  • melhorar a hidratação;
  • desenvolver uma rotina de atividade física.

Porque, em algum momento, o tratamento pode ser interrompido ou ajustado.

E quando isso acontece, a fome tende a aumentar novamente.

A caneta reduz a fome, mas não cria hábitos

Esse é um dos pontos mais importantes.

O medicamento ajuda no controle do apetite, mas não ensina:

  • como lidar com a ansiedade;
  • como controlar a alimentação emocional;
  • como fazer escolhas alimentares equilibradas;
  • como organizar a rotina alimentar;
  • como manter uma relação saudável com a comida.

Se essas mudanças não acontecerem durante o tratamento, existe maior risco de recuperar parte do peso perdido após a suspensão da medicação.

O papel da atividade física vai muito além do gasto calórico

Durante o emagrecimento, não ocorre apenas perda de gordura.

Dependendo da alimentação e do estímulo físico, também pode haver redução da massa muscular.

Isso pode resultar em:

  • diminuição da força;
  • pior composição corporal;
  • metabolismo mais lento;
  • maior flacidez.

Por esse motivo, a prática regular de atividade física, especialmente musculação e exercícios de força, é fundamental.

Além de preservar a massa magra, ela ajuda a melhorar a qualidade do emagrecimento e facilita a manutenção dos resultados.

Emagrecer não é apenas perder peso

Muitas pessoas focam exclusivamente nos quilos eliminados.

Mas saúde vai além da balança.

Um bom processo de emagrecimento deve buscar:

  • redução de gordura corporal;
  • preservação ou ganho de massa muscular;
  • melhora dos exames laboratoriais;
  • aumento da disposição;
  • melhora da qualidade de vida;
  • construção de hábitos sustentáveis.

O objetivo não deve ser apenas emagrecer rapidamente, mas criar condições para manter os resultados por muitos anos.

A mudança precisa começar na mente

A obesidade é uma doença complexa e multifatorial.

Por isso, o sucesso do tratamento não depende apenas da redução da fome.

Depende também da mudança de comportamento.

A pessoa continuará enfrentando:

  • estresse;
  • eventos sociais;
  • rotina corrida;
  • emoções;
  • gatilhos alimentares.

Aprender a lidar com essas situações é uma das etapas mais importantes do processo.

As canetas emagrecedoras representam um dos maiores avanços já observados no tratamento da obesidade e podem trazer benefícios importantes para a saúde.

No entanto, elas não substituem hábitos saudáveis.

O medicamento pode ajudar a reduzir a fome e facilitar o emagrecimento, mas a manutenção dos resultados depende das escolhas feitas durante o tratamento.

Quando a fome voltar, serão os hábitos construídos ao longo do caminho que determinarão a capacidade de manter os resultados conquistados.

Por isso, o tratamento da obesidade deve ser encarado de forma ampla e individualizada.

O acompanhamento de uma equipe multidisciplinar faz toda a diferença nesse processo. Nutricionistas, médicos, educadores físicos e psicólogos possuem papéis complementares e ajudam a construir estratégias mais seguras, eficazes e sustentáveis.

Mais importante do que perder peso é desenvolver hábitos que promovam saúde e qualidade de vida a longo prazo.

Referências científicas

WILDING, J. P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. The New England Journal of Medicine, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 2021.

JASTREBOFF, A. M. et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. The New England Journal of Medicine, v. 387, n. 3, p. 205-216, 2022.

RUBINO, D. et al. Effect of continued weekly subcutaneous semaglutide vs placebo on weight loss maintenance. JAMA, v. 325, n. 14, p. 1414-1425, 2021.

Canetas emagrecedoras: o que acontece quando a fome volta?

Luana Diniz 
Foto: Clara Lis

Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.

Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.

É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.

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