O cenário político local continua movimentado com especulações sobre a relação entre o Palácio Rio Branco e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Declarações recentes de lideranças emedebistas, como o ex-deputado federal João Correia, sugeriram que “nada está definido” e trouxeram queixas públicas sobre uma suposta falta de espaço e cargos na estrutura governamental para o partido.
No entanto, o secretário de Estado de Governo, Luiz Calixto, rechaçou os rumores de rompimento ou descumprimento de acordos. Em entrevista exclusiva ao ContilNet, nesta quarta-feira (17), o articulador político minimizou o tom das reclamações e garantiu que o governo estadual entregou tudo o que foi firmado na mesa de negociações.
Ao ser questionado sobre as cobranças e insatisfações ventiladas por membros do MDB, Calixto foi enfático ao afirmar que as polêmicas não passam de especulação midiática e que não há formalização de descontentamento por parte do partido.
“Toda essa especulação, ela vem da imprensa. Nós não tivemos ainda nenhuma posição contrária oficial do MDB. Até que eles comuniquem alguma coisa…”, pontuou.
O secretário destacou que o principal compromisso assumido pelo governo — o suporte na construção de uma chapa competitiva de deputados federais — foi integralmente executado. Ele relembrou a situação de fragilidade eleitoral vivida pelo MDB no pleito anterior.
“Até onde eu participei, nas negociações que eu participei, o que foi acordado com o MDB está cumprido. O MDB não tinha uma chapa de deputados federais e o governo ajudou a montar. O que é o desejo de todos os partidos, inclusive contrariando partidos tradicionalmente aliados. Não custa lembrar que na eleição passada o MDB sequer formou a legenda. E agora, nomes de peso da política, nomes competitivos como Pedro Longo, Minoru, Antônia Lúcia… Pessoas que têm capital eleitoral, isso foi cumprido”, continuou.
O impasse da vice-governadoria: Jéssica Sales e Marcus Alexandre
Um dos pontos mais sensíveis da ruidosa relação com o partido gira em torno da vaga para a vice-governadoria na chapa majoritária. Enquanto interlocutores apontam recusas públicas dos nomes indicados pelo partido, Calixto argumenta que o Palácio mantém a cadeira reservada e de braços abertos, mas que a resolução interna cabe exclusivamente à sigla.
“Com relação à vice-governadoria, a vaga está disponibilizada para o MDB. Agora, cabe ao MDB convencer a deputada Jéssica a aceitar, porque nós não podemos obrigá-la a aceitar, né?”, pontuou.
Diante do questionamento de que tanto Jéssica Sales quanto Marcus Alexandre já teriam sinalizado desinteresse no posto, o secretário explicou que o governo seguiu as diretrizes repassadas pelo próprio comando do MDB, por intermédio do pai da deputada (o ex-prefeito Vagner Sales).
“O MDB sempre disse que só tinha dois nomes a apresentar: a Jéssica Sales e o Marcus Alexandre. O Marcus descartou peremptoriamente… A preferência dele é para disputar a eleição de deputado. Mas quando [o recuo da Jéssica] foi dito, isso foi dito pela boca do presidente do partido, que por sinal é o pai da Jéssica. Portanto, nós entendemos que ele estava autorizado a falar isso”, salientou.
Calixto também afastou a possibilidade de um plano C que passasse por outros filiados, descartando nomes cotados nos bastidores, como o do secretário Aberson Carvalho: *”Não, não sei. Eu acho que não”, abreviou.
Cargos em comissão e o prazo limite
Sobre a cobrança pública por cargos e espaços na máquina pública estadual para acomodar os indicados do MDB, Luiz Calixto declarou que essa etapa de preenchimento de funções comissionadas foge ao seu escopo direto de atuação. Apesar disso, definiu a participação na estrutura do Estado como uma evolução previsível da aliança política.
“Participar de governo é um processo natural. Eu tô te falando que eu não participei desta parte. A minha parte foi na formação da chapa e cumprimos. Inclusive, é uma situação que nós cumprimos antecipadamente, porque tem o prazo eleitoral do dia 2 de abril”, destacou.
Ao encerrar, o titular da Segov reafirmou sua confiança na manutenção do bloco de apoio ao governo e na estabilidade dos acordos firmados com a base aliada para os próximos desafios eleitorais.
“Eu continuo a acreditar de que os pactos serão cumpridos”, concluiu.

