Acusados de assassinar adolescentes no Taquari atuavam como “juízes” e puniam moradores no bairro


Polícia revelou que eles também estão envolvidos em outros crimes que envolvem tortura e invasão de domicílios para serem usados como "bocadas"

REDAÇÃO CONTILNET

Em continuidade às investigações sobre o triplo homicídio envolvendo três adolescentes ocorrido no mês de agosto no bairro Taquari, a Delegacia de Homicídios (DHPP), em parceria com a Coordenação de Recursos Especiais da Polícia Civil (CORE), abriu um procedimento paralelo após descobrirem o envolvimento dos presos em outros crimes no mesmo bairro, enquanto estavam à frente de organização criminosa.

Durante as diligências para a prisão de Clenilton Araújo de Souza (26 anos) e Francimar Conceição da Silva (27 anos), a polícia encontrou, no celular de um dos suspeitos, um vídeo na qual eles participam, juntamente com um terceiro envolvido, identificado como Amauri Sandro, torturando um morador que estaria praticando furtos no bairro sem autorização da facção.

Os dois suspeitos pela morte dos adolescentes/Foto: reprodução

Os três atuavam como lideranças no bairro e agiam fazendo cobranças financeiras aos moradores, ameaçando e até expulsando-os de suas casas para revenderem ou usarem como bocas de fumo.

“Esse vídeo foi gravado logo depois de terem praticado o triplo homicídio contra os adolescentes e, não satisfeitos, usaram o mesmo veículo para praticar esse crime de tortura. Nós indiciamos quatro pessoas, entre elas os dois presos pelos homicídios e o Amauri, que foi preso no Bujari com parentes da família de um dos adolescentes enquanto estavam na busca pelo corpo, com uma arma de fogo. Ele foi liberado em audiência de custódia e foi preso agora com outra pistola do mesmo calibre, que confessou ter comprado”, disse Robert Alencar, delegado responsável pela CORE.

O delegado Rêmulo Diniz, da Delegacia de Homicídios, ressaltou o envolvimentos dos presos deste vídeo no caso do triplo homicídio, informando haver provas contundentes para entregá-los à Justiça e lamentou que os próprios familiares se contrapossem ao trabalho da polícia, alegando que os suspeitos seriam inocentes.

“Esse foi um trabalho de investigação na qual logra êxito em conseguir provas suficientes para acreditar e enviar à Justiça, que os presos estavam diretamente envolvidos na morte dos adolescentes no Taquari. A família usou o espaço lá em frente a delegacia para questionar a inocência dos acusados, mas nós cumprimos nosso papel com imparcialidade e deixamos claro que trabalhamos para que seja feita a justiça, sem a intenção de prejudicar nenhum lado”, finalizou Diniz.

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