Saúde Básica do Acre terá redução de 63,4% em médicos com saída de Cuba do Mais Médicos


No Acre, segundo a secretaria de estado de saúde, atuam 104 médicos cubanos nos 22 municípios

SALOMÃO MATOS, DO CONTILNET

Com a saída de Cuba do programa federal Mais Médicos, anunciado na manhã desta quarta-feira (14) pelo governo cubano por meio de nota, os impactos no atendimento à saúde básica no Estado do Acre, segundo informou a própria Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), são os piores possíveis.

Para se ter uma ideia, informou o porta-voz da Sesacre, ao todo, são 104 cubanos que trabalham no atendimento básico da saúde nos 22 municípios e isso significa uma redução de 63,4%, e o que já não estava bom, pode ficar bem pior sem os profissionais da Medicina prestando os serviços à população.

No Estado do Acre, atuam 104 médicos cubanos nos 22 municípios/Foto: Reprodução

Diz a nota do governo cubano, que decidiu sair do programa social Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), à presença dos médicos cubanos no Brasil.

O país caribenho envia profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde desde 2013, quando o governo da então presidente Dilma Rousseff criou o programa para atender regiões carentes sem cobertura médica.

Em relação aos impactos negativos que isso pode causar no atendimento à saúde pública no Acre, o Portal ContilNet questionou o porta-voz da Sesacre, se não havia alguma maneira de minimizar a decisão do governo de Cuba, oferecendo inclusive garantias aos profissionais de medicina caribenho, mas no entanto, a resposta não foi animadora.

“Isso passa longe da nossa competência enquanto Estado do Acre, infelizmente. É um acordo entre o governo brasileiro com o de Cuba, por meio das Organizações Panamericanas de Saúde- OPAS, não temos poder de qualquer interferência”, lamentou.

Segundo o portal nacional G1 de notícias da Rede Globo, o comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa no país brasileiro. A Opas disse apenas que foi comunicada da decisão, sem dar mais detalhes.

A retaliação do governo de Cuba em relação o programa Mais Médicos, veio após um pronunciamento do presidente eleito Jair Bolsonaro.

“Nós juntos temos como fazer o Brasil melhor para todos e não para grupelhos que se apoderaram do poder e [há] mais de 20 anos nos assaltam e cada vez mais tendo levado para um caminho que nós não queremos. Vamos botar um ponto final do Foro de São Paulo. Vamos expulsar com o Revalida os cubanos do Brasil”, declarou Bolsonaro em pronunciamento realizado em Presidente Prudente no Estado de São Paulo.

Segundo ainda o portal G1, após a decisão do governo cubano, Bolsonaro se manifestou pelo Twitter dizendo: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.”

Veja pontos do programa Mais Médicos

  • Foi criado em julho de 2013 para ampliar o atendimento médico principalmente em regiões mais carentes.
  • Em agosto de 2013, fechado acordo com a Opas para participação de médicos cubanos.
  • Participação de brasileiros formados no Brasil aumentou 38% entre 2016 e 2017, de acordo com o Ministério da Saúde.
  • Programa tem 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
  • Atende cerca de 63 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde.
  • Participação de cubanos no programa tinha sido renovada no início deste ano por mais cinco anos.
  • Levantamento do governo divulgado em 2016 apontou que o programa é responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com até 10 mil habitantes.
  • Em 1.100 municípios atendido pelo programa, o Mais Médicos representava 100% da cobertura de Atenção Básica, de acordo com dados divulgados em 2016.

Com informações do G1

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