A retificação de nome e de sexo no registro civil é um direito que pessoas trans conquistaram, com muito labor, somente em 1 de março de 2018, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o direito das pessoas trans, independentemente de cirurgia de transgenitalização ou da realização de tratamentos hormonais.
Quem lĂȘ o parĂĄgrafo acima, talvez nĂŁo lembre dos problemas enfrentados pela influenciadora digital acreana Duda Velozo, de 32 anos, que relatou ter tido dificuldades para conseguir mudar o nome em um cartĂłrio de Rio Branco. Hoje, quase um ano apĂłs ter conseguido a certidĂŁo alterada, ela disse que se sentiu lesada por nĂŁo ter seu direito Ă cidadania devidamente respeitado no momento em que havia feito a solicitação, ainda em novembro de 2020.
âMe senti violentada sim, fizeram pouco caso. Me senti uma pessoa inĂștilâ, disse Velozo ao ContilNet.
Na ocasiĂŁo, ela disse ainda que nĂŁo conseguia entender o porquĂȘ de terem dificultado a emissĂŁo do registro com o nome social, tendo em vista que outras colegas tiveram fĂĄcil e rĂĄpido acesso. Na Ă©poca, o caso chegou ao MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC) e foi somente a partir da ajuda do MP que a digital influencer conseguiu, em fevereiro do ano passado, o documento com o nome alterado.
âPara mim foi uma grande conquista devido a vĂĄrios constrangimentos que eu jĂĄ sofri, inclusive em aeroportosâ, complementou.
Após o ocorrido, o cartório chegou a se posicionar dizendo que pode ter ocorrido um mal entendido no esclarecimento com relação à documentação.
“ESTAMOS VIVAS, SEDENTAS DE JUSTIĂA”
Ao relembrar a situação, ela pontuou que a marginalização dos corpos trans e o desrespeito a esta população ainda é muito frequente na sociedade, e que a comunidade travesti e trans ainda tem muito a lutar para que o respeito e a dignidade seja uma realidade.
âEstamos falando de um paĂs que mais mata a população LGBTQIA+ e a que mais mata travestis e transexuais. Ă um paĂs que nos leva ao cĂĄrcere e nos leva Ă drogadição e Ă prostituição compulsiva. Celebrar a data de hoje significa que nĂłs estamos vivas, sedentas de justiça, estamos adquirindo aqueles espaços que nos foram roubadosâ, destacou.
