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26 junho 2022 8:31 pm

Acreana que sofre com endometriose faz alerta sobre doença e lança rifa para pagar cirurgia

Os endometriomas estão interligando órgãos e cirurgia delicada não está disponível na rede pública. Caroços são do tamanho da cabeça de um bebê

POR KATIÚSCIA MIRANDA, PARA CONTILNET

Última atualização em 11/06/2022 08:11

Ela menstruou com 15 anos e desde então sua relação com as dores se tornou ainda mais íntima. Falar sobre isso com médicos em atendimento emergencial na rede pública era somente para ganhar doses extras de analgésicos e atestados que não duravam mais de um dia. Afinal, é comum sentir dores no período menstrual, mas quando a dor te impede de andar e de fazer suas necessidades mais básicas, com certeza isso não é normal.

A acreana Eloísa Ribeiro de Barros, de 21 anos, está sentindo na pele, no útero e mais especificamente nos ovários essa dor que afeta não somente o físico. Com o psicológico visivelmente abalado, de quem está cansada de lutar principalmente contra a desinformação, ela encarou a luta de expor seu problema para alertar as mulheres sobre a endometriose e também conseguir pagar pelo procedimento cirúrgico.

A cirurgia que será realizada por meio de videolaparoscopia não está disponível na rede pública e custa R$ 15 mil. Eloísa precisa de ajuda para pagar pelo procedimento que pode mudar a sua vida e lançou uma rifa beneficente para que as pessoas possam conhecer a sua história. O procedimento será feito aqui mesmo, em Rio Branco. Saiba como ajudar:

Foto reprodução

Ela fala em tom desabafo quando lembra de tudo que passou até descobrir que tinha endometriose. Há pouco mais de um ano ela resolveu fazer uma consulta particular para investigar mais a fundo a sua situação. “Na ultrassom já constatou os dois cistos. Tomei a medicação que ele passou e não vi melhora, minhas dores aumentaram”.

“A falta de conhecimento e o difícil diagnóstico da endometriose prejudicam muitas mulheres. Estou em estágio avançado da doença e tenho certeza que se tivesse iniciado o tratamento desde que descobri que tinha o que o médico na época chamou de ‘cistos’, eu não estava assim. O médico chegou a me dizer que os cistos não me causariam nenhum problema. E veja só, nem são cistos e o problema é enorme”, revelou Eloísa.

Hoje ela está inchada, depois da última crise que teve, há pouco mais de um mês. Ela tem aparência de uma mulher grávida, e não é para menos, já que dois endometriomas do tamanho da cabeça de um bebê, estão apertando outros órgãos. “Eu já não consigo ir ao banheiro. Chega a ser tão extremo que no exame que fiz, a ressonância pélvica, a indicação é tomar quatro laxantes para o preparo intestinal. Tive que tomar seis pílulas. Até o xixi sai por partes. As dores só aumentam”, falou em tom de cansaço.

Apenas recentemente, depois de mais de cinco anos de sofrimento, ela encontrou uma saída. “Os médicos estão analisando tudo, tentando fazer com que eu saia da cirurgia com meus órgãos funcionando e não entre numa menopausa precoce, aos 21 anos. Os focos da endometriose já afetaram meu útero, bexiga e intestino e mesmo com exames tão avançados, os médicos só vão saber a real situação na cirurgia. Não é um câncer, mas age como um, ou até pior, porque é muito silencioso e de difícil diagnóstico”.

Grupos nas redes sociais

Ao encarar o problema de frente, sem medo de preconceitos e acreditando na solidariedade de amigos, familiares e da sociedade em geral, ela começou a estudar sobre a endometriose e participa de grupos de apoio nas redes sociais.

“Eu falo por saber. Tem muitas mulheres no mundo que têm, muitas meninas que sofrem e não contam com o apoio das famílias, nem dos médicos, que em muitos casos atendem sem procurar investigar a fundo a situação delicada. É uma doença que deixa a gente vulnerável triste, com alto-estima baixa, sem vontade de fazer nada, porque quem sente dor o tempo todo não tem vontade de fazer nada”.

Saiba mais

Endometriose é uma doença inflamatória provocada por células do endométrio (tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.

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