20 de abril de 2024

Renato Cariani: “Você só incomoda os fracos, os fortes te admiram”

Influenciador Renato Cariani fez publicação em rede social após divulgação de dados do inquérito que serviu de base para denúncia do MPSP

Foto colorida de Renato Cariani - Metrópoles

Reprodução/YouTube

O influenciador fitness Renato Carianiréu por tráfico de drogas, publicou nas redes sociais uma frase em que afirma ser “admirado pelos fortes” que só os “fracos se incomodam com ele”. A postagem foi feita nessa quarta-feira (21/2), dias após a divulgação de detalhes do inquérito da Polícia Federal usado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para fundamentar a denúncia contra ele e quatro sócios na empresa de produtos químicos Anidrol.

Segundo o inquérito, Renato Cariani, Roseli Dorth, Fabio Spinola Mota, Andreia Domingues Ferreira e Rodrigo Gomes Pereira foram responsáveis por 60 transações dissimuladas de produtos químicos para a produção de até 15 toneladas de cocaína e crack prontos para consumo.

Conversas de WhatsApp citadas no inquérito comprovam, para a PF, que Renato Cariani tinha relação antiga com Fabio Spinola Mota, apontado como o elo do grupo com traficantes e como o responsável por criar o e-mail utilizado pelo influencer para justificar as negociações com a AstraZeneca. As mensagens mostram que Cariani e a esposa viajaram juntos com Mota e a mulher dele e mais um casal para Cancun, no México, em novembro de 2015.

Em seu perfil no Instagram, Cariani divulgou uma imagem com a frase: “Você só incomoda os fracos, os fortes te admiram”. O influenciador ainda não se manifestou oficialmente sobre a divulgação das conversas de WhatsApp.

Logo após ser indiciado pela PF, em dezembro, Renato Cariani compartilhou vídeos nas redes sociais nos quais nega envolvimento nos crimes, atribuindo-os a terceiros. Ele disse ter sido vítima de Fabio Spinola Mota e que ficou “aliviado” e “tranquilo” depois de prestar depoimento e que não tem relação com as suspeitas levantadas pela investigação.

“Pude fazer meu depoimento, [tive a] oportunidade de fazer ele [por] escrito e gravado. Eu quis porque [ao deixar] gravado tenho tudo na íntegra, afinal de contas não tenho absolutamente nada com isso”, disse em dezembro.

“Nomes de crianças”

Em um diálogo destacado pela PF, ocorrido em julho de 2017, Cariani pede ajuda para uma parceira de negócios para conseguir receitas médicas para comprar Norditropin, mais conhecido como “GH”, que é um hormônio de crescimento, com desconto. “Amiga, consegue dois nomes de crianças com os dados dos pais para mim, por favor. Preciso comprar mais daquele medicamento”, escreve Cariani. “Consigo, sim”, responde a interlocutora.

Segundo a PF, em ocasiões posteriores, Cariani envia receitas médicas para sua colega, que realiza o cadastro delas junto a empresas farmacêuticas, com a finalidade de emissão de vouchers de descontos para a compra do medicamento, que seria o “GH”. Para a PF, diante do contexto das conversas, “levanta-se a suspeita de que as receitas enviadas” por Cariani “poderiam ter uma finalidade diversa à de tratamento hormonal infantil”, com “indícios de falsidade dessas receitas”.

CPF de prefeito

Documentos citados pela Polícia Federal no inquérito indicam, ainda, que o esquema tenha utilizado dados do atual prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), para simular depósitos do laboratório AstraZeneca para a Anidrol, empresa química de Cariani.

Dois depósitos foram feitos em nome do atual prefeito de São Sebastião, em 2015 e 2016. Na época, ele era secretário do Planejamento em Caraguatatuba. O primeiro deles no valor de R$ 103.500 e o segundo, no valor de R$ 108.500, por carregamentos de lidocaína.

De acordo com a AstraZeneca, Felipe Augusto nunca foi representante da empresa. A suspeita, de acordo com a PF, é de que os criminosos tenham usado o CPF do atual prefeito de São Sebastião, que poderia ser obtido com mais facilidade, por se tratar de uma pessoa pública.

“É possível que, por se tratar de pessoa pública, o CPF de Felipe Augusto tenha sido utilizado de maneira fraudulenta. Aqui, faz-se necessário avaliar em que condições teria se dado [o uso do nome de] Felipe Augusto como depositante de expressivos valores em favor da Anidrol, no interesse da AstraZeneca, que nega contundentemente tal possibilidade”, diz a PF.

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