26 de maio de 2024

Acreanos fugitivos de Mossoró usam a tática de Biló, matador de indígena que enganava a polícia

Assassino de indígenas, segundo a lenda, se escondia atrás de um talo de capim ou se transformava em animais da floresta para escapar da caçada policial; acreanos se escondem há quase 50 dias

Os acreanos Deibson Nascimento e Rogério Mendonça, que há quase 50 dias driblam as forças de segurança no Nordeste brasileiro após uma fuga espetacular e inédita do presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, parecem carregar os mesmos encantos e feitiços de enganação da polícia de outro acreano famoso, o matador de indígenas conhecido por Pedro Biló, uma referência às faculdades mentais claudicante de um homem que dizia matar indígenas nas chamadas “correrias” nas aldeias com a justificativa de que eles não eram batizados e por isso não eram gente, enganou a polícia por mais de duas décadas.

Ele conseguiu driblar a polícia durante tanto tempo refugiado nos seringais acreanos na região de Feijó, às margens do Rio Envira e afluentes, com seus feitiços que, reza a lenda difundida pelos próprios indígenas sobreviventes às “correrias”, como eram chamados os ataques às aldeias nas noites de matanças, era capaz de se esconder atrás de um talo de capim ou de transformar em bichos comuns àquelas florestas – pacas, tatuas, cotias, veados e aves. Com o tempo, a Polícia Federal, que conseguiu prender o matador em 1976, descobriu-se que, se tinha ou não tais feitiços e encantos, Biló conseguia escapar à perseguição policial garças a uma rede de informações de seringalistas interessados na desocupação das terras e, claro, na eliminação dos povos indígenas. Biló morreu em 1980, de câncer.

Pedro Biló era conhecido como ‘matador de indígena’/Foto: Reprodução

Se tem ou não conhecimento das feitiçarias do conterrâneo ilustre, os fugitivos Deibson Nascimento e Rogério Mendonça  estariam utilizando os mesmos estratagemas do matador de indígenas para escapar do cerco policial há quase 50 dias. Como no caso de Biló durante os mais de 20 anos, a polícia não tem qualquer pista sobre a localização dos fugitivos e já há o registro do início de desmobilização nas operações de caçada. Mais uma vez, como no caso de Biló, há informações de que policiais que atuam na força-tarefa já ficaram a menos de três metros dos criminosos.

O episódio foi relatado por um casal rendido pela dupla em 16 de março, quando as buscas chegavam ao 10º dia. Segundo o depoimento, os criminosos invadiram a casa armados com pedaços de madeira. Exigiram que as vítimas fizessem jantar, pediram celulares, efetuaram ligações e viram TV. Os fugitivos permaneceram no local por aproximadamente quatro horas.
Ao casal, chegaram a relatar que quase haviam sido pegos na noite anterior, quando estavam escondidos em uma região de mata fechada e o helicóptero passou voando baixo. Contaram que precisaram fugir deixando uma camiseta e um lençol para trás. Os itens chegaram a ser apreendidos pelos investigadores.

Ainda de acordo com o testemunho do casal, no momento em que os fugitivos assistiam à televisão deitados na varanda, por volta de 0h, um carro da polícia penal passou na rua e abordou um grupo de moradores. Assustados, Deibson Nascimento e Rogério Mendonça mandaram o casal se trancar na casa e escaparam em direção à mata.

Fugitivos de Mossoró/Foto: Reprodução

Em quase 50 dias de buscas infrutíferas, o Ministério da Justiça se prepara para desmobilizar os integrantes da Força Nacional que atuam na caçada aos dois fugitivos. Os 111 agentes deverão voltar às suas atribuições de origem já na próxima semana, quando se encerra a prorrogação de 10 dias autorizada pelo ministro Ricardo Lewandowski.

Desde 19 de fevereiro, homens da Força Nacional fazem varreduras nas matas e, também, fecham o cerco em rodovias com objetivo de impedir que Deibson Nascimento e Rogério Mendonça rompam o perímetro das buscas no Rio Grande do Norte. Apenas em diárias, o valor pago pelo MJ aos agentes já supera R$ 1,1 milhão.

As demais forças de segurança, tanto no âmbito federal quanto estadual, continuarão a caçada em solo potiguar. E uma outra frente, tocada pela Polícia Federal, ganha cada vez mais relevância.

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