29 de maio de 2024

Ozempic e Mounjaro, qual leva à maior perda de peso? Veja comparação

Análise de dados de vida real mostraram que medicamento da Eli Lilly pode levar a redução até 7,2% maior do peso corporal

O medicamento Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, com o princípio ativo tirzepatida, leva a uma perda de peso mais acentuada e acelerada do que à proporcionada Ozempic, da Novo Nordisk, o qual tem como princípio ativo a semaglutida. É o que indica um novo trabalho que comparou a eficácia dos remédios com base em dados de vida real, nos Estados Unidos.

Ambos os fármacos foram desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2, mas são utilizados de forma off label (finalidade diferente da bula) para emagrecimento.

Ozempic versus Mounjaro

Ozempic versus Mounjaro — Foto: Ryan David Brown/The New York Times e Divulgação / Eli Lilly

Nos estudos clínicos individuais, ambas as substâncias apresentaram reduções significativas do peso corporal. Para compará-las, o novo trabalho utilizou informações do banco da Truveta, uma empresa de dados operada por um coletivo de 30 sistemas de saúde dos EUA.

Os pesquisadores, ligados à Truveta, analisaram os dados de 18.386 pacientes, que iniciaram o uso dos medicamentos para diabetes tipo 2, com sobrepeso ou obesidade, entre maio de 2022 e setembro de 2023.

Mounjaro versus Ozempic

As mudanças no peso corporal foram avaliadas em três períodos: 3, 6 e 12 meses após começar o tratamento. No primeiro marco, os pacientes fazendo uso do Mounjaro perderam em média 5,9% do peso; enquanto aqueles que utilizavam o Ozempic tiveram uma redução de 3,6%.

Aos seis meses, o percentual aumentou para 10,1% entre o grupo da tirzepatida, e para 5,9% nos pacientes da semaglutida. No final, após o período de um ano, aqueles que fizeram o tratamento com o Mounjaro perderam em média 15,2% do peso. Já aqueles que utilizaram o Ozempic perderam aproximadamente 7,9%.

Após ajustar os resultados, os pesquisadores estabeleceram que o Mounjaro levou a uma perda 2,3% maior do peso que o Ozempic após 3 meses; 4,3% maior, após 5 meses, e 7,2% maio, após os 12 meses de acompanhamento. Os efeitos adversos, majoritariamente gastrointestinais, como náuseas e vômitos, foram semelhantes em ambos.

Além disso, eles observaram que, ao fim do ano, quase metade (42,3%) dos pacientes que faziam uso da tirzepatida perderam 15% do peso ou mais. No grupo da semaglutida, essa redução foi atingida por somente 1 a cada 5 pacientes (19,3%). Os pesquisadores escrevem que os resultados são consistentes com o observado nos estudos clínicos dos medicamentos.

Nesta grande análise do mundo real, com correspondência de propensão, os indivíduos com sobrepeso ou obesidade tratados com tirzepatida tiveram probabilidade significativamente maior de alcançar perda de peso clinicamente significativa e maiores reduções no peso corporal em comparação com aqueles tratados com semaglutida”, escrevem.

Ainda assim, ambas as reduções são significativas e têm sido celebradas como uma nova fronteira no tratamento da obesidade. Embora no estudo tenham sido avaliados o Mounjaro e o Ozempic, por terem sido aprovados e disponibilizados há mais tempo, a tirzepatida e a semaglutida já receberam o aval para serem comercializadas oficialmente com a indicação para perda de peso.

Os medicamentos são liberados no Brasil para tratar obesidade?

A tirzepatida para tratamento da obesidade recebeu o nome de Zepbound, enquanto a semaglutida para o mesmo objetivo recebeu o de Wegovy. No Brasil, por enquanto, apenas o Wegovy tem aval da Anvisa e é previsto que chegue às farmácias neste ano.

Já a indicação da tirzepatida para pacientes com obesidade está em análise na agência reguladora. A Eli Lilly não confirma ainda se, caso aprovada, ela também será vendida no Brasil com o nome de Zepbound, como nos EUA, ou se a indicação para obesidade será apenasincluída na bula do Mounjaro – que já tem o sinal verde no país para diabetes.

Isso porque no caso do Mounjaro e do Zepbound os remédios têm as mesmas doses de tirzepatida, e a mudança no nome é apenas uma estratégia comercial devido à finalidade terapêutica. Já no caso do Wegovy e do Ozempic, a versão indicada para obesidade tem uma dosagem de semaglutida superior, lembra a Novo Nordisk.

Por isso, sobre o novo estudo, a farmacêutica destaca que “as doses de semaglutida avaliadas não foram investigadas para o controle crônico do peso” e que “não existem estudos comparativos que avaliem o Wegovy e a tirzepatida”. Além disso, reforça que os resultados das pesquisas “não foram certificados por revisão por pares e não devem ser usadas para orientar a prática clínica”.

A Eli Lilly conduz, no momento, um estudo clínico que compara diretamente o Mounjaro/Zepbound com o Wegovy, o SURMOUNT-5, e a expectativa é que os resultados estejam disponíveis em 2025.

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