Emprego entre jovens brasileiros crescem; carteira assinada não acompanha

O desemprego entre 18 e 24 anos atualmente é o menor em uma década. O problema é que os empregos informais não diminuíram nesse tempo.

Muitos jovens brasileiros conhecem bem o que Daniel Barros, de 18 anos, está passando. Ele não consegue emprego porque não tem experiência, e não ganha experiência porque não consegue emprego.

“Essa espera tem sido meio que difícil, porque tem certas coisas que a gente quer, almeja ter e por não ter um emprego fixo fica meio difícil tirar uma renda para conseguir essas certas coisas”, conta.

O desemprego entre 18 e 24 anos nesse momento é o menor em uma década/Foto: Reprodução

Mas Daniel não está desempregado. Ele trabalha esporadicamente na oficina de estofados do tio.

“Quando quero uma certa quantia, eu venho, venho todos os dias mesmo, e faço os bicos que tem para fazer e acaba, sim, dando para comprar algumas coisas”, diz. Ele é um trabalhador informal. E o estado onde ele mora, o Maranhão, tem o maior índice de jovens trabalhadores informais do Brasil: quase 69% não têm carteira assinada.

Isso ajuda a manter a média brasileira alta e sem alterações significativas nos últimos anos. O desemprego entre 18 e 24 anos nesse momento é o menor em uma década. Se a gente tirar os anos da pandemia, 2017 foi o pico. E, agora, a gente está mais de 11 pontos abaixo disso.

O problema é que os números da informalidade não acompanharam essa queda. E assim, temos uma geração de jovens, mais de 41%, como que presos em trabalhos como aplicativos de transporte, de entrega, como autônomos, fazendo bicos, sem conseguir avançar em uma carreira ou porque não encontram trabalho na área que estudaram.

“A gente sabe que os cursos que mais formam no Brasil são cursos que talvez não tenham a tamanha demanda de profissionais. É pedagogia, enfermagem, administração, direito são os cursos que mais formam. O mercado se mostra, também, incapaz de absorver tantas pessoas formadas ao longo do tempo. Então, isso faz com que essas pessoas se aloquem em, provavelmente, áreas que não foram aquelas com as quais elas estudaram”, afirma Juliana Inhasz, professora de economia do Insper. Ou porque tem que trabalhar e não conseguem estudar.

“Ele vai trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar e não vai ter tempo para estudar. O estudar acaba sendo secundário. O estudar acaba sendo ‘quando der eu vou’, ‘quando melhorar a situação eu vou,’ e a situação não melhora porque ele não tem mobilidade na carreira justamente por falta da educação. Então, é um círculo vicioso ali que prende esse jovem na informalidade”, explica Paula Sauer, professora de economia da ESPM.

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