PT diz que derrota de Marcus Alexandre Ă© culpa do MDB: “Em cima do muro, vocĂȘ perde sempre”

O artigo foi assinado pelo presidente do PT no Acre, Daniel Zen, e pelo vereador eleito pelo partido, André Kamai

Por Matheus Mello, ContilNet 14/10/2024 Ă s 16:01 Atualizado: hĂĄ 2 anos

O presidente do PT no Acre, Daniel Zen, e o vereador eleito em Rio Branco, André Kamai, assinaram uma nota em conjunto para se posicionar sobre o resultado da disputa pela Prefeitura da capital.

PT diz que derrota de Marcus Alexandre Ă© culpa do MDB: "Em cima do muro, vocĂȘ perde sempre"

CĂșpula do PT reunida durante as eleiçÔes de 2022/Foto: Ascom

Na nota, o partido rechaça o discurso do MDB de que o apoio do PT e de outros partidos de esquerda a candidatura de Marcus Alexandre teria sido o responsåvel pela derrota do ex-prefeito nas urnas.

“A votação obtida em Rio Branco por Marcus Alexandre, ainda no PT, na eleição para governo de 2018, foi de 64.165 (32,11%) votos. Agora em 2024, seis anos depois e jĂĄ no MDB, a votação foi de 68.824 (34,77%) votos. Ou seja: a ida dele para o MDB, entendida como uma redenção, sĂł foi capaz de lhe agregar mĂ­seros 4.659 votos ao ativo jĂĄ construĂ­do em sua trajetĂłria no PT”, opinaram.

A nota segue declarando que o MDB prefere atacar ‘aliados’ que estavam no mesmo palanque nas eleiçÔes de 2024, do que fazer uma autocrĂ­tica.

“Colocar a culpa no PT, na esquerda ou em quem quer que seja Ă© de uma covardia sem limites. É um comportamento medĂ­ocre, tĂ­pico de partidos fracos e oportunistas”.

Os petistas revelam ainda que houve uma promessa de que a coligação teria acesso a recursos consideråveis para a campanha, o que segundo eles, não aconteceu.

“A responsabilidade pela derrota Ă©, pois, muito mais do MDB do que de qualquer aliado seu. Disseram que haveria recursos para a campanha majoritĂĄria quando, em verdade, nĂŁo tinham um pau pra dar num gato. NĂŁo ajudaram os candidatos a vereador dos demais partidos com nada. Nem os tradicionais santinhos, havia. Os candidatos do MDB e suas equipes sequer participavam das atividades da campanha majoritĂĄria, que sĂł aconteciam graças a presença dos antigos aliados de Marcus Alexandre que, mesmo renegados e diante do naufrĂĄgio iminente, nĂŁo abandonaram o barco, seguindo firmes do inĂ­cio ao fim.”

Veja a nota na Ă­ntegra:

QUANDO A ALIANÇA VIRA ALVO: A COVARDIA PÓS-ELEIÇÃO EM RIO BRANCO

Por André Kamai* e Daniel Zen**

Nessas duas semanas que se sucedem ao resultado das eleiçÔes municipais, temos lido e ouvido todo tipo de anålise sobre a vitória de Bocalom e a derrota de Marcus Alexandre aqui em Rio Branco, capital do nosso Acre.

O discurso que emana das hostes emedebistas é o mais recorrente: o de que a responsabilidade pela derrota de seu candidato foi da aliança com o PT e demais partidos do chamado campo progressista de esquerda. Chegam a culpar o Governo Federal por nada ter feito para impedir a liberação de R$ 140 milhÔes do empréstimo que a Prefeitura contraiu junto ao Banco do Brasil, para custear as açÔes do programa Asfalta Rio Branco.

Analisemos os nĂșmeros: a votação obtida em Rio Branco por Marcus Alexandre, ainda no PT, na eleição para governo de 2018, foi de 64.165 (32,11%) votos. Agora em 2024, seis anos depois e jĂĄ no MDB, a votação foi de 68.824 (34,77%) votos. Ou seja: a ida dele para o MDB, entendida como uma redenção, sĂł foi capaz de lhe agregar mĂ­seros 4.659 votos ao ativo jĂĄ construĂ­do em sua trajetĂłria no PT.

Por sua vez, os candidatos a vereador da FÉ-BRASIL obtiveram, na somatĂłria, 8.971 votos. JĂĄ os da federação PSOL/REDE obtiveram 2.776. Com toda a alegada rejeição, o fato Ă© que, juntos, os partidos do chamado campo progressista de esquerda que estavam na aliança com o MDB obtiveram 11.747 votos. Isso equivale a 17% da votação majoritĂĄria. E nem estamos considerando a votação do PSB – que teve candidatura prĂłpria – e nem do PSD, que tinha a candidata a vice-prefeita na chapa.

Isso quer dizer que, se os partidos do campo de esquerda que estiveram na aliança com o MDB tivessem lançado candidatura própria a prefeito, certamente não teriam ganhado a eleição, mas, a diferença de votos do Bocalom para o Marcus teria sido ainda maior.

Ao invĂ©s de proceder com uma autocrĂ­tica sincera e perceber os prĂłprios erros e fragilidades na condução da campanha, alĂ©m de enxergar o Ăłbvio e calibrar a mira para o adversĂĄrio que, ao abusar da força do dinheiro e das mĂĄquinas pĂșblicas, impĂŽs mais uma derrota ao seu candidato, setores do “Glorioso” preferem atacar um “aliado”. Colocar a culpa no PT, na esquerda ou em quem quer que seja Ă© de uma covardia sem limites. É um comportamento medĂ­ocre, tĂ­pico de partidos fracos e oportunistas.

A responsabilidade pela derrota é, pois, muito mais do MDB do que de qualquer aliado seu. Disseram que haveria recursos para a campanha majoritåria quando, em verdade, não tinham um pau pra dar num gato. Não ajudaram os candidatos a vereador dos demais partidos com nada. Nem os tradicionais santinhos, havia. Os candidatos do MDB e suas equipes sequer participavam das atividades da campanha majoritåria, que só aconteciam graças a presença dos antigos aliados de Marcus Alexandre que, mesmo renegados e diante do naufrågio iminente, não abandonaram o barco, seguindo firmes do início ao fim.

Ademais, em campanhas majoritĂĄrias, sĂł tem espaço pro quente e pro frio. Morno, dĂĄ dor de barriga. Pro bem ou pro mal, tem que ter lado. Com um lado bem definido vocĂȘ pode atĂ© nĂŁo ganhar. Mas, em cima do muro, vocĂȘ perde sempre.

*André Kamai é vereador eleito pelo Partido dos Trabalhadores em Rio Branco
**Daniel Zen Ă© professor do Curso de Direito da UFAC e presidente do DiretĂłrio Regional do PT/AC

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