Um levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 62,6% das vítimas de feminicídio registradas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras. Os dados fazem parte da pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, elaborada a partir de registros oficiais de mortes classificadas como feminicídio em todo o país.
De acordo com o estudo, 36,8% das vítimas eram mulheres brancas, enquanto mulheres indígenas e amarelas representam 0,3% dos casos registrados no período analisado.
A nota técnica destaca que a predominância de vítimas negras não se explica apenas pela violência de gênero isoladamente. Segundo o documento, os crimes ocorrem frequentemente em contextos marcados por vulnerabilidades sociais e econômicas, com menor acesso a serviços públicos de proteção e maior presença em territórios com precariedade institucional.

Levantamento também indica crescimento de casos recentes e média de quatro mortes de mulheres por dia/ Foto: Reprodução
O levantamento foi divulgado em referência ao Dia Internacional da Mulher e reúne indicadores recentes sobre a violência contra mulheres no país.
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Dados mais recentes
Em 2025, o Brasil registrou 1.470 mulheres vítimas de feminicídio, de acordo com informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O número representa uma média de quatro mulheres mortas por dia em razão da violência de gênero.
A taxa nacional ficou em 0,69 morte a cada 100 mil habitantes, índice semelhante ao registrado entre 2022 e 2024.
Os registros se concentram principalmente em estados mais populosos. Em números absolutos, São Paulo liderou com 233 casos, seguido por Minas Gerais, com 139 ocorrências.
Recorde recente
Dados de segurança pública também apontam que janeiro registrou recorde de feminicídios em São Paulo desde o início da série histórica, em 2018. Apenas no primeiro mês do ano foram contabilizados 27 casos.
Especialistas apontam que o enfrentamento do problema passa pela ampliação de políticas públicas de proteção, além de medidas de prevenção e combate à violência doméstica.
