Crise na Saúde: quando bons gestores são barrados, algo está muito errado

Bestene construiu uma reputação associada à eficiência administrativa

Bestene
📸 Foto: Reprodução

A discussão em torno do nome do ex-deputado José Bestene para comandar a Secretaria Estadual de Saúde do Acre revela mais do que um simples embate político, expõe um conflito clássico entre critérios técnicos e interesses de bastidores.

Ao longo de sua trajetória, Bestene construiu uma reputação associada à eficiência administrativa. Sua passagem pela área da saúde é frequentemente lembrada como um período marcado por abastecimento regular de medicamentos, organização dos serviços e iniciativas que trouxeram inovação para o setor. Em um estado onde a saúde pública enfrenta desafios estruturais históricos, esse tipo de experiência não é um ativo menor, é um diferencial estratégico.

A autonomia na escolha de sua equipe é um dos pilares de qualquer gestão eficaz.

A resistência ao seu nome, portanto, levanta questionamentos legítimos: trata-se de uma avaliação técnica ou de um veto político? Em ambientes altamente politizados, não é incomum que decisões administrativas sejam contaminadas por disputas de poder, alinhamentos partidários ou divergências pessoais. No entanto, quando isso ocorre em uma área sensível como a saúde, os efeitos ultrapassam o campo político e atingem diretamente a população.

A governadora Mailza Assis enfrenta, nesse contexto, um teste de liderança. A autonomia na escolha de sua equipe é um dos pilares de qualquer gestão eficaz. Submeter decisões estratégicas a pressões externas pode comprometer não apenas a governabilidade, mas também a entrega de resultados concretos à sociedade.

Mais do que uma questão de nomes, o debate deveria se concentrar em critérios objetivos: capacidade de gestão, histórico de resultados e conhecimento técnico. A saúde pública exige decisões baseadas em evidências e experiência, não em preferências pessoais ou resistências políticas difusas.

Caso o nome de José Bestene fosse confirmado, a expectativa natural seria de uma retomada de práticas administrativas que já demonstraram eficiência no passado. Isso não significa ausência de desafios, mas indica a possibilidade de enfrentá-los com alguém que já conhece a máquina pública e os gargalos do sistema.

No fim, quem ganha, ou perde, com essa decisão não são grupos políticos, mas a população acreana. Em um setor onde cada decisão impacta diretamente a vida das pessoas, a escolha precisa ser guiada pelo interesse público, acima de qualquer outra consideração.

A saúde do Acre não pode ser refém de disputas políticas. Precisa, antes de tudo, de gestão, experiência e resultados.

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