A chapa que sustenta a candidatura de Alan Rick ao governo não é forte apenas na disputa majoritária. A composição do Republicanos para a eleição proporcional reúne alguns dos nomes mais conhecidos da política acreana, e promete transformar a corrida por cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados em uma disputa particularmente apertada.
Republicanos, PSD, Avante e Novo caminham juntos na coligação. Mas é dentro do Republicanos que está concentrada boa parte da força eleitoral.
Para a Assembleia Legislativa, três deputados estaduais tentam a reeleição: Tadeu Hassem, Eduardo Ribeiro e Gene Diniz. A eles se somam nomes com bases eleitorais próprias, como o vereador de Rio Branco Zé Lopes, o ex-prefeito de Acrelândia Olavinho Boiadeiro e Eduardo Gomes, filho da prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes.
A conta feita hoje pelos aliados de Alan é de pelo menos três cadeiras.
O problema — ou a virtude, dependendo do ponto de vista — é que a nominata é forte o suficiente para produzir uma disputa interna intensa. São candidatos conhecidos, com mandato, passagem pelo Executivo ou estruturas políticas consolidadas disputando um número limitado de vagas.
Na chapa para deputado federal, a concentração de nomes competitivos é ainda maior.
O principal nome é Roberto Duarte, que busca a reeleição. Mas ele terá pela frente uma nominata que reúne Mirla Miranda, irmã de Alan Rick; a ex-deputada federal Vanda Milani; a ex-secretária de Saúde Sheila Andrade; Manoel Gerônimo, escolhido pelo prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, para ocupar o espaço político deixado por ele em Brasília; e o vereador de Rio Branco Eber Machado.
Vanda, aliás, chega à disputa com um reforço importante: o apoio da nora, Fernanda Hassem, ex-prefeita de Brasileia e uma das principais coordenadoras da campanha de Alan.
A projeção interna é repetir o resultado de 2022 e eleger dois deputados federais.
Se a conta se confirmar, a chapa terá cumprido a missão. Mas, até chegar lá, a disputa será voto a voto — e, em alguns casos, dentro do próprio grupo.
Petecão monta chapa com ex-deputados, vereadores e prefeita
Quem acompanha a política acreana sabe que Sérgio Petecão costuma jogar olhando algumas casas à frente.
As pesquisas para o Senado não colocam o presidente estadual do PSD em uma situação confortável na disputa pela reeleição. Mas, enquanto o foco está concentrado na corrida majoritária, o senador fez um movimento em outra frente: montou uma nominata competitiva para a Assembleia Legislativa.
E conseguiu reunir nomes que, individualmente, já carregam alguma musculatura eleitoral.
A lista do PSD tem quatro ex-deputados estaduais: Antônio Pedro, Jamyr Asfuri, Moisés Diniz e Pastor Wagner Felipe. Todos já passaram pela Aleac e conhecem o caminho das pedras.
Também estão na chapa vereadores com bases no interior, como Maycon Moreira, de Sena Madureira, e Elter Nóbrega, de Cruzeiro do Sul, além do ex-prefeito de Rodrigues Alves, Jailson Amorim.
Completam a lista a vice-prefeita de Tarauacá, Marilete Vitorino; o ex-superintendente da Pesca no Acre Paulo Ximenes; além de Jefferson Pururuca e Daniel Dorzilla.
A composição chama atenção pelo tamanho da reconstrução.
Em 2022, o PSD elegeu dois deputados estaduais, mas perdeu os dois durante a janela partidária deste ano. Agora, em vez de tentar preservar uma estrutura que já havia sido desmontada, Petecão refez a nominata praticamente do zero.
É uma tentativa clara de recuperar espaço na Aleac. Na Câmara de Rio Branco, porém, o PSD sequer conseguiu montar chapa.
Novo tem um nome forte — e uma conta difícil
Na composição que sustenta Alan Rick, o Novo aparece como a peça mais difícil de medir.
A chapa tem um nome que parte na frente dos demais: o vereador de Rio Branco Emerson Jarude. O problema é que eleição proporcional não se ganha sozinho.
Jarude tem mandato, exposição e uma base eleitoral construída ao longo dos últimos anos. Mas, para transformar sua força individual em uma vaga na Câmara ou na Assembleia — a depender da disputa — precisará de uma nominata que produza votos suficientes para atingir o quociente eleitoral.
E é justamente aí que está a incógnita. O Novo não dispõe, hoje, do mesmo número de candidatos conhecidos que Republicanos e PSD colocaram na rua. Jarude pode até puxar a votação da chapa, mas precisará que os demais candidatos também façam sua parte.
Em resumo: Jarude tem motivos para acreditar na própria votação. O que ainda precisa aparecer é a votação do Novo.
Na eleição proporcional, o voto de um candidato ajuda a eleger o outro. E, neste caso, o vereador terá de torcer para que seus companheiros de chapa consigam transformar candidaturas em votos suficientes para completar a conta.
É uma eleição em que, para Jarude, não basta ser o mais votado. Ele também vai precisar que os outros tenham voto.
