Rio Branco, Acre,


Doc mostra cientista que quer se tornar ciborgue para sobreviver a doença

Peter Scott-Morgan contrariou os prognósticos dos médicos, que em 2017 deram a ele somente mais dois anos de vida

Parece filme de ficção científica, mas está acontecendo neste momento: Peter Scott-Morgan está tomando decisões drásticas para manter-se vivo. O cientista está tentando se transformar no primeiro ciborgue humano em uma tentativa de superar a doença do neurônio motor (MND, do inglês) que, de outra forma, o mataria. Morgan está fazendo uso de cirurgia radical, engenharia de alta tecnologia e inteligência artificial. Todo o processo enfrentado por ele será eternizado no documentário ‘Peter: The Human Cyborg’.

Peter começou a sentir os primeiros sintomas da doença durante um banho, quando passou a não conseguir mover uma de suas pernas. “Eu fiz o que fiz durante toda a minha vida que, quando saio da banheira, você balança o pé para tirar a água – e isso não aconteceria. Foi muito estranho”, diz Peter no programa. “Depois de uma série de testes, fui diagnosticado com uma doença do neurônio motor – uma doença horrível e cruel”.

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A MDN destrói as células nervosas que controlam os músculos e que, em um primeiro momento, leva à perda dos movimentos uso das pernas e dos braços, mas que depois interfere gravemente na capacidade de comer e respirar, ao mesmo tempo em que as funções cerebrais e a consciência permanecem intactos. “Ficar preso não é o ideal. Não é o que planejei ou queria. É o que é”, diz Peter, PhD em robótica no Imperial College de Londres e grande fã de ‘Doctor Who’.

Com grande parte da tecnologia sendo aplicada pela primeira vez, Peter admite que é uma “cobaia” e considera isso um grande “experimento científico”. Mas se Peter falhar, ele sabe que tragicamente começará a sofrer com fome, sufocamentos e que, eventualmente, pode morrer. “Quem diria que tentar enganar a morte era um trabalho de tempo integral”, admite o cientista em cena do documentário. Os médicos, que fecharam o diagnóstico de Peter em 2017, indicavam teria cerca de mais dois anos de vida.

Como, em teoria, Peter já deveria estar morto, ele intensificou o processo de transformação em um ciborgue. Para evitar a morte por inanição, Peter tem seu estômago recondicionado para que os nutrientes sejam bombeados automaticamente para dentro dele. Para respirar, um tubo foi instalado na base de sua garganta, mas isso significa que ele não consegue mais falar. Para manter-se em pé, Peter queria que um exoesqueleto poderoso substituísse sua parte superior do corpo, tornando-o mais forte do que nunca. Ele também planejou uma cadeira motorizada que permite com que ele se movimente e fique de pé, no entanto a degradação de seu estado de saúde o fez tomar algumas decisões e engavetar os últimos inventos.

Ele planeja substituir seu rosto paralisado e sem expressão por um avatar hiper-realista, que será exibido em uma tela peitoral. Não querendo soar robótico, o cientista passou semanas em um estúdio de gravação para que sua nova voz gravada transmitisse suas emoções. Para a perda do uso dos dedos, Peter procurou uma interface cérebro-computador para que possa controlar a voz com a mente.

Imaginando que esse sistema tornaria uma conversa em um evento extremamente lento e cansativo, Peter optou por um sistema que fala por si mesmo com palavras e frases que ele normalmente usaria. Para preservar sua personalidade, ele deixará o controle a cargo da inteligência artificial. O documentário mostra a emoção de Peter ao ouvir pela primeira vez a voz de seu clone virtual, momentos antes de ir ao hospital fazer o procedimento que lhe salvaria a vida, mas sacrificaria sua voz. A operação de laringectomia completa só havia sido realizada no Reino Unido uma vez antes para alguém com DM – e esse paciente era Stephen Hawking. As últimas palavras ditas com a voz natural de Peter foram “Eu te amo”, para seu marido Francis.

A produção acompanha a entrega da tecnologia a Peter, poucos meses depois. “Parece que acordei em outro planeta”, admite Peter. “O que você acha que devemos fazer nas próximas décadas?”. Com sua visão científica tendo se tornado realidade, Peter diz que o próximo passo é mudar o mundo e ajudar os outros, enquanto continuamente aumenta sua estrutura ciborgue. “Nunca vou deixar de ser humano, mas talvez mude o que significa ser humano. É uma época emocionante para se estar vivo”, diz Peter. “Agora não é o fim de nada. Agora é onde a diversão começa”.

Dez meses após a operação de sacrificar a voz para respirar, Peter admite que, surpreendentemente, se sente “incrível”. Ele diz: “Ainda consigo mover alguns músculos da minha cabeça, mas fora isso, estou agora bastante paralisado, o que esperava ser um pouco traumático. “Na verdade, porém, acho que isso significa apenas que posso ficar sentado muito tempo enquanto as pessoas se preocupam comigo. Suspeito que o truque para desfrutar da paralisia total é simplesmente imaginar que você está em um hotel spa de luxo e o maître insistiu que você colocasse seus pés para cima e não mova um músculo.”

Peter nunca teve abalada a sua fé na tecnologia e a crença de que ela seria o caminho para escapar de uma sentença de morte. “Encarar tudo de frente com o homem que amei durante toda a minha vida adulta certamente ajuda”, explica Peter. “Cada passo que demos nos últimos quase três anos desde o diagnóstico (quando me deram dois anos de vida) parece ser o caminho certo para nós dois. É muito mais fácil ir para onde ninguém esteve antes quando cada passo do caminho de alguém em quem você confia completamente está garantindo que você está fazendo a coisa certa”, comentou o cientista.

Quando questionado sobre o que ele queria que fosse o legado do filme, Peter disse uma palavra: “Esperança!”. “Esta é uma ‘doença terminal’ como nunca vimos antes – e certamente não na televisão. A razão irresistível para Francis e eu nos sujeitarmos à invasão de um momento muito privado pelo escrutínio público foi para receber nossa mensagem de ‘prosperar’ lá fora para combater o derrotismo em nossa cultura em torno da doença terminal. Lembro-me de ter dito ao diretor como era como se a sociedade esperasse que pessoas como eu” estatisticamente se enrolasse e morresse na hora”. “Se Francis e eu pudermos inspirar as pessoas a irem por aí e encorajar uma mudança de atitude, o filme terá feito seu trabalho”, decreta Peter.

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