Coluna: “Quanto vale a vida de uma mulher em nosso estado?”

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Eu já perdi as contas de quantas matérias li nas últimas semanas, meses e anos em nosso estado sobre o assassinato de mulheres. Estamos há mais de três anos em primeiro lugar no ranking de assassinato de mulheres em razão de seu gênero, o que denominamos, feminicídio (Mapa da Violência, 2020). Essa posição significa dizer que aqui em relação a outros lugares do Brasil, potencialmente, ser mulher é estar em constante risco de ser assassinada. A pandemia tornou ainda mais explicita a problemática, tendo em vista que mulheres precisaram passar mais tempo com seus violentadores.

O assassinato representa o final de um continuum de violência que se manifesta em suas diversas formas (moral, psicológica, financeira, privações) até chegar ao assassinato. Além disso, o crime de feminicídio denuncia a cultura patriarcal e machista em que corpos e vidas de mulheres são subjugadas e silenciadas.

Infelizmente é comum que se responsabilize mulheres pela violência sofrida, precisamos compreender que relações abusivas retiram tudo, inclusive, a autonomia das vítimas. O ciclo marcado por aumento da tensão, agressão seguida de comportamento carinho se instaura e a mulher se encontra isolada de suas amizades e familiares, o violentador restringe e afasta a companheira de seus vínculos como forma de manutenção do seu poder.

As principais vítimas de feminicídio são mulheres que estavam tentando sair da relação, precisamos admitir que o estado falha na proteção dessas mulheres, e que espaços que seriam para acolhê-las acabam por revitimiza-las. A luta contra o feminicídio é um dever do Estado e da sociedade como um todo. Em briga de marido e mulher meta a colher, denuncie 180 e cobre os gestores do município e estado.

Até quando companheiros vão assassinar suas parceiras deliberadamente em nosso estado? Quantas mulheres precisam morrer para que esses dados sejam levados em consideração?

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