Jair Bolsonaro, quem diria, se ofereceu para ser entrevistado pela Globo. Na live de quinta-feira, 23, o presidente disse que aceita ficar diante das cĂąmeras do canal.
âAgora, a gente espera que nĂŁo haja distorçÔes, sĂł isso. No tocante ao Sistema Globo, se quiser uma entrevista ao vivo, tĂŽ Ă disposição. Gravar pra vocĂȘs, aĂ fica difĂcilâ, comentou.
As duas Ășltimas entrevistas exclusivas de Bolsonaro Ă Globo foram bem distintas. Em 28 de agosto de 2018, ele falou ao longo de 30 minutos na sabatina realizada na bancada do âJornal Nacionalâ.
O entĂŁo candidato se saiu bem ao confrontar os Ăąncoras William Bonner e Renata Vasconcellos. Polemizou ao dizer que a apresentadora ganhava menos que o colega de telejornal.
E deixou Bonner incomodado ao repetir que o jornalista Roberto Marinho, fundador da Globo, foi apoiador declarado da ditadura militar.
Em 29 de outubro daquele ano, dia seguinte ao segundo turno, Bolsonaro voltou a aparecer no âJNâ. Era outro: estava sĂ©rio, contido, mediu as palavras. Foram 12 minutos de exposição jĂĄ como presidente eleito.
A nova estratĂ©gia de conversar com a imprensa âinimigaâ, que sempre o critica e atĂ© debocha dele, surge basicamente por 3 motivos:
Popularidade em baixa â Institutos de pesquisas apontam Ăndices ruins. O Atlas indica rejeição de 64%. Para o Datafolha, 53%. Na aferição do PoderData sĂŁo 55% de reprovação.
Atingir mais pĂșblico â Bolsonaro sabe que para reverter a crise de imagem nĂŁo pode falar apenas com os fĂŁs no cercadinho na portaria do PalĂĄcio da Alvorada, com os seguidores fiĂ©is nas redes sociais e os veĂculos declaradamente alinhados a seu governo. Precisa fazer seu discurso chegar a outros perfis. ImprescindĂvel atingir quem nĂŁo Ă© bolsonarista raiz.
Recuperar os holofotes â Nos Ășltimos tempos, o JudiciĂĄrio (especialmente alguns ministros do STF) e o Legislativo (principalmente a CPI da Covid) tiveram tanto ou mais espaço na imprensa do que o Executivo. Bolsonaro sinaliza o interesse em recuperar o protagonismo. NĂŁo com declaraçÔes polĂȘmicas e atos intempestivos, mas por meio de entrevistas longas que possam gerar repercussĂŁo positiva.
Resta aguardar para conferir se a Globo vai aceitar o âconviteâ para entrevistar o presidente. Lula fez o mesmo desafio ao canal da famĂlia Marinho.
Por enquanto, a emissora lĂder em audiĂȘncia â e atacada tanto pela direita quanto pela esquerda â nĂŁo sinaliza intenção de abrir espaço aos dois mais poderosos lĂderes polĂticos do PaĂs no momento.
