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22 maio 2022 12:28 pm

Abelhas invadem escapamentos de motos em estacionamento; entenda o motivo e o que fazer

Os insetos ocuparam partes das motos, que estavam estacionadas em uma empresa da capital de Mato Grosso do Sul. Especialistas explicam o motivo e o que fazer

POR G1

Última atualização em 04/05/2022 16:37

Trabalhadores de uma empresa de Campo Grande testemunharam um comportamento comum de abelhas, mas que pode parecer inusitado, conforme explicam especialistas. Ao se aproximarem das motocicletas no estacionamento, os funcionários se depararam com uma grande quantidade de abelhas cercando os veículos e entrando no escapamento. Veja o vídeo acima.

CLIQUE AQUI para ver o vídeo.

A imagem dos insetos nas motos rapidamente circulou em grupos da empresa, gerando preocupação e curiosidade. O apicultor Adriano Adames de Souza, explica que as abelhas do vídeo são conhecidas como Jataí e não possuem ferrão.

“Inofensivas. Estão procurando um local para se nidificar”, afirma Souza.

Motivações

Especialistas apontam que este comportamento pode ser frequente. O biólogo e especialista em apicultura e meliponicultura, Marcos José Wolf, detalha as motivações para isso.

“O motivo para elas entrarem no escapamento da moto talvez seja por causa da falta de árvores que forneçam ocos para as abelhas se instalarem. Então, elas acabam se instalando em diversos locais, locais inusitados. Eu já vi muito em escapamentos, botas de borracha, galochas, chaleiras, caixa de passagem de energia, parede”, comenta Wolf.

O que fazer

Diante destas circunstâncias, o primeiro passo recomendado pelos especialistas, antes de qualquer tentativa de contato, é identificar a espécie das abelhas que estão presentes. Wolf detalha que, apesar das abelhas nativas sem ferrão serem inofensivas aos humanos, há exceções.

“Algumas espécies se defendem enrolando nos cabelos e mordiscando a pele de quem as importune. Porém, há uma espécie de abelha nativa sem ferrão chamada tataíra ou caga-fogo, que libera ácido fórmico na pele podendo causar queimaduras sérias. Antes de manipular qualquer espécie de abelha, a pessoa deve se certificar da espécie para não correr risco de acidentes”, pontua o biólogo.

Por essa razão, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado para evitar riscos. O major Fábio Pereira de Lima recomenda que ao avistar um enxame, a pessoa se afaste imediatamente e jamais tente remover por contra própria, ou jogar objetos nos insetos, ligando para o 193.

Confira a seguir outras orientações:

  • Redobrar atenção com as crianças e idosos;
  • Manter distante animais domésticos do enxame, pois qualquer barulho pode irritar as abelhas e provocar um ataque;
  • Ao se deparar com um enxame em deslocamento, abaixar ou correr em zigue-zague;
  • Em caso de ataque, proteger as picadas do pescoço e do rosto com ajuda de camiseta ou outra vestimenta;

Criação de um novo ninho

Caso os profissionais identifiquem que as abelhas de fato são de espécies inofensivas e a pessoa queira auxiliar o processo de criação de ninho dos animais, a confecção de “gambiarras” podem contribuir. Os funcionários da empresa tentaram esta tática.

“Um colega fez uma ‘armadilha’ e ia pegar as abelhas para tentar fazer um ninho, mas não deu tempo”, relatou o proprietário de uma das motos ao g1

Ele conta que as abelhas saíram por conta própria quando ele deu partida na motocicleta.

Ninho isca criado por funcionários da empresa. — Foto: Reprodução/RedesSociais
Ninho isca criado por funcionários da empresa. — Foto: Reprodução/RedesSociais

O biólogo esclarece o que ocorre quando há mudança de ninhos. “A população de uma colônia cresce e se divide em duas, sendo que parte das abelhas voam para o novo ninho levando consigo uma nova rainha, e a outra parte permanece no ninho antigo juntamente com a rainha velha”, detalha Wolf.

“O método mais seguro e eficaz, é utilizando ninhos iscas feitos a partir de garrafas pet de dois litros, envolvidas por material isolante térmico, por exemplo, jornal, e algo que deixe o interior da garrafa escurecido, como lona preta”, orienta o especialista.

Porém, é preciso cuidado na criação da “armadilha”, pois o volume interno do ninho isca não deve ultrapassar dois litros. “Caso contrário, pode atrair abelhas africanizadas que podem ferroar e causar acidente”, alerta Wolf.

Também é de extrema importância identificar o ninho isca para evitar acidentes e transtornos. “Já aconteceu um caso em que instalaram uma garrafa dessas na parede de uma igreja sem avisar. Como ninguém sabia do que se tratava, suspeitaram que podia ser uma bomba e chamaram a polícia”, relata o biólogo.

De acordo com ele, o processo de enxameação dura cerca de três meses (90 dias). “Neste período as abelhas constroem o ninho, trazem alimento, néctar e pólen, e trazem a nova rainha”.

Wolf pontua que a nova colônia depende da “colônia mãe” para crescer e se estruturar.

“Caso alguém consiga capturar um enxame de abelhas nativas sem ferrão, deve aguardar este período para que a colônia se estabeleça no novo ninho. Após os 90 dias, a colônia pode ser transferida para outro ambiente ou até mesmo permanecer no local, podendo ser transferida para uma colmeia de criação chamada de caixa racional”, destaca o especialista.

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